Com o Dia das Mães, fiquei reflexiva sobre o quanto a maternidade nos transforma. Mas sobretudo o quanto ela também traz à tona o machismo corporativo. Esses dias li um texto da Fernanda Moreno, mãe do Cadu e da Malu, que me inspirou a seguir com o tema. E compartilho, do mesmo jeito que ela fez, as minhas experiências que são auto-explicativas. Queria eu que fossem histórias de pescador, mas são fatos.

Já fui mal-avaliada por sair de licença maternidade (afinal não “trabalhei o ano todo como os outros colegas”), já tive que pedir desculpas por ter que me ausentar para acompanhar a cirurgia cardíaca da minha filha de quatro meses. Já mudei de estado no fim da licença maternidade do meu filho porque a empresa precisava de mim, mesmo que ainda amamentando. Topei por escolha minha. Ia e voltava nos fins de semana e como queria continuar amamentando, passava sábado e domingo estocando meu leite no congelador. Sentia que aquilo mantinha meu vínculo com meu filho mesmo estando longe, além manter os benefícios do leite materno para a saúde dele. Durante a semana, seguia tirando o leite e o descartava para que o leite não empedrasse e secasse. Um esforço enorme, mas invisível, naquele momento, para meus líderes.

Escolhas minhas, aliás todas as escolhas são nossas, e faria tudo de novo. Mudar de estado e conhecer novas culturas foi justamente a força que precisava naquele momento. Encontrar pessoas com outro modo de pensar, e criar pontes com essas experiências é algo inspirador.

Mas já teve desapontamento também, ao ter que questionar a um CEO o motivo pelo qual não estavam pagando o meu salário por cinco meses (só o meu, aos outros homens, sim -eu era a única mulher), quando todos passávamos pela mesma crise de governança, e ouvir que ele achava que meu marido ajudava com a parte financeira.

Também já tive líderes que, em meio a outra grande crise, valorizaram justamente essa minha experiência, enxergaram como garra, coragem e ousadia e me deram a liberdade de ser quem sou em meio a tantas adversidades. Obrigada, Rosangela, mãe do João Pedro.

Sou grata por ter vivido essas experiências já sendo mãe. Sou quem sou hoje e a mãe que me tornei por tudo que vivi. As crises para mim, são como turismo nas dunas, as trilhas com emoção marcam mais na mente e na alma. Uma coisa é certa: o que aprendi sobre o outro nessas minhas histórias, transformou também a mãe que sou.

Fico feliz em ver que algumas empresas estão finalmente valorizando as habilidades que desenvolvemos como mãe e profissional. Se a maternidade por si só nos transforma, equilibrar todos os pratinhos no meio de uma pandemia é algo único. Aprendemos a errar e acertar. A mudar de rota. A não julgar. A ter mais paciência, a discordar e seguir amando – exercícios contínuos de uma mãe.

Que as minhas experiências e a de tantas outras mães, possam cada vez mais inspirar líderes e empresas a mergulharem na diversidade e valorizar a riqueza de se ter muitas mães no ambiente de trabalho. Que os meus “causos” e de tantas outras mães vire, em breve, apenas histórias de pescador.

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