Nada me define e me sujeita. A liberdade é minha própria substância. Sim, sou fã de Simone de Beauvoir. E quando minha filha adolescente trouxe para dentro de casa toda a comunidade LGBTQIAP+ fiquei feliz que ela esteja se permitindo ser livre para ser quem é.  O que me enche de orgulho como mãe.

Como aliada da comunidade, voltei a aprender português. Aprendi dois novos artigos que a escola não nos ensina sobre o outro e que o corretor ortográfico insiste, enquanto escrevo, em destacar como “incorreto”. O “E” que substitui os artigos definidos “A” e o “O”.  E o “U” que substitui o “E” e o “A”.  Seu uso se aplica sempre quando não queremos limitar o que queremos dizer a apenas dois gêneros: feminino e masculino.  Para ilustrar faço um paralelo com o inglês. O idioma anglo-saxão se refere ao conjunto de pessoas como “they/them”, que equivale ao “elu”. Pode ainda não fazer parte do nosso cotidiano, mas asseguro que está na boca nos dos milleniuns e gerações seguintes. 

Cada letra da sigla LGBTQIAP+ inclui um grupo de pessoas que se reconhecem por uma orientação sexual (com qual ou quais gêneros você se relaciona) ou uma identidade de gênero (forma com que você se identifica socialmente) distinta do que a sociedade normatizou (orientação heterossexual e gêneros masculino e feminino). Segundo a Comissão de Direitos Humanos de Nova York, existem 31 nomenclaturas de gêneros que vão além dos dois ou três que aprendemos. E apesar desses nomes, cada um é cada um e podemos considerar sexualidade como espectros.  

Somos animais políticos e racionais (nem sempre) e fazemos parte de dois grandes grupos: cisgêneros ou transgêneros. Não sei para vocês, mas eu não conhecia quase nenhum desses termos, então acho que vale registrar aqui pelo menos três: 

Cisgêneros são as pessoas que têm uma identidade de gênero correspondente ao sexo biológico. Sou uma mulher cis pois me identifico com meu sexo biológico, independentemente da minha orientação sexual. Portanto, há homens e mulheres cisgêneros homossexuais, heterossexuais, bissexuais etc.  Já transgênero é uma expressão usada para pessoas que assumem um gênero não correspondente ao sexo biológico. Dentro do “guarda-chuva” transgênero, encontram-se as pessoas não-binárias e transexuais.

Os não-binários são todos os gêneros que não se enquadram parcialmente ou inteiramente no padrão binário, ou seja, não se encaixam no masculino, nem no feminino. Incluem-se: gênero fluido, agenero, demiboy/demigirl, etc. 

Muitas vezes se confunde ainda gênero com orientação sexual. Ou seja, pode-se ser uma mulher trans e lésbica, ou um homem trans e heterossexual. A genitália não define o gênero. Ainda tenho e temos muito para entender e debater sobre o tema. Há muito pouca literatura em português à nossa disposição. 

Sexualidade não é matemática porque é humano. E se é humano, é diverso. Claro que meu entendimento seguramente não será o mesmo que o seu, varia de acordo com as vivências e crenças de cada um. Mas fico feliz de podermos trazer aqui o tema de forma livre, sem medo e sem tabu. Seja qual for a sua visão sobre o assunto, o importante é sempre respeitar o próximo. 

Amor é amor. Love is love. Bem-vinde ao século XXI.

Diagrama

Descrição gerada automaticamente

Fonte: https://sororidadeeafins.files.wordpress.com/2014/10/sexualidade.png

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3 comentários
  1. ALÉM DE MUITO ESCLARECEDOR, DE UMA SENSIBILIDADE SINGULAR BUSCAR O CONHECIMENTO EM UMA TROCA TÃO HONESTA COM SUA FILHA. GOSTEI MUITO! TEMOS QUE SEGUIR ESTUDANDO, SIM! PARA ALÉM DA EMPATIA, É IMPORTANTE A CONSTANTE ATUALIZAÇÃO E BUSCA POR CONHECIMENTO! ANSIOSA PELOS PRÓXIMOS TEXTOS!

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