Meus filhos me definem como aquariana, do contra. Obviamente não concordo, me vejo mais uma rebelde com causa. Ávida por um mundo mais justo, com mais amor e empatia. Adepta de Simone de Beauvoir, nada me define e me sujeita. A liberdade é minha própria substância.

Nunca gostei de rótulos ou me senti pertencente a um, apesar de ter nascido de uma mistura de cearense com a “família tradicional paulistana”.

Vim de uma família de italianos, falantes e alegres. Pareciam que discutiam enquanto se amavam e falavam sobre amenidades aos gritos, coisa que me pego fazendo hoje. Deve ser genético. Trouxe comigo também uma má relação com a comida, com o meu corpo e uma briga com a balança desde muito tempo, como se ela fosse a responsável pela falta de aceitação de mim mesma. Mas isso segue em evolução, em um processo que começou exatamente em 14 de agosto de 2017.

Acordei surda do ouvido esquerdo e, junto com a surdez, ficou um zumbido constante. O motivo, não sei até hoje e nem importa mais. No impulso inicial tentei reverter a situação, indo de médico em médico e tomando mil medicamentos. Mas o fato é que, hoje, eu agradeço por ter ficado surda. Foi graças à surdez que eu pude conhecer e aprender a cada dia sobre o mundo que eu desejo para TODES nós.

Mudo a cada leitura, a cada contato novo e aprendizado sobre temas que antes não estavam no meu dia a dia. E que bom que entraram na minha vida! Aprendi com a Mariana Rosa – a quem vocês vão encontrar por aqui também e que diz que “a deficiência não é um laudo, não é um diagnóstico, não é a falta da audição ou de alguma característica que carregamos no corpo. Supor que a deficiência é uma falta do corpo é o mesmo que imaginar que há um padrão de ser humano a ser perseguido.  Estamos falando de pessoas. E as diferenças são as características mais marcantes, mais potente da nossa humanidade”. E isso fez todo sentido para mim e passei a enxergar minhas características, que são só minhas e que me fazem única, de uma outra maneira.

Já em 2020, minha filha adolescente trouxe para dentro de casa toda a comunidade LGBTQIA+ e tem sido uma experiência maravilhosa aprender tanto com ela sobre a fluidez dos gêneros que ainda é um tema tabu para muitas famílias e nem sempre de tão fácil compreensão. Afinal, são tantas consoantes juntas, não é mesmo?

Apesar de ser comunicóloga, ter uma escrita rotineira será um desafio pra mim, mas como não aceitar o pedido de uma taurina querida que vende gelo pra esquimó? Por aqui vou compartilhar minhas vivências e aprendizados nesses assuntos que eram tão distantes de mim e tão parte da vida humana. Me descobri, além de surda, ignorante.

Obrigada às inconformadas @Claudia e @Miriam pelo convite, e bora falar de qualquer tema sem medo e sem tabu.

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