Mania de comparação, um comportamento inflamatório prejudicial para o bem-estar mental. No conto de Fadas Branca de Neve e os Sete Anões, no qual uma rainha lindíssima olha-se no espelho mágico e lhe pergunta: “Espelho, Espelho Meu… Quem é a mais bela de todas?”. Durante muito tempo, o espelho lhe respondeu que era ela. 

Quando nasce a Branca de Neve e, à medida que vai crescendo, se torna uma bela moça admirada por todos, principalmente por sua beleza física e sua docilidade. Assim, chega o dia em que, quando a rainha faz a mesma pergunta de checagem de sempre e o espelho não tem outra alternativa senão informá-la que alguém tomou o seu lugar.

Essa mania de comparação se torna tão danosa, venenosa como uma doença inflamatória. Logo, se alguém sofre de uma inflamação da sua capacidade de fazer comparações chamar de “comparacite” – o sufixo ite significa “inflamação – um quadro que se instala quando a pessoa faz comparações descabidas, ou em excesso, ou com muita frequência.

Vocês já tinham se dado conta disso?

O atributo de comparar faz parte do comportamento humano, é difícil pensarmos como nossa sociedade poderia funcionar sem jamais fazer comparações, até porque servem como pontos de referências, como meios de instaurar a ordem em meio ao caos.

Por exemplo:

Se a economia esse ano está melhor ou pior do que ano passado, se as chuvas do verão 2021 estão mais intensas do que em 2020 ou se gostamos mais desta série do Netflix do que outra.

Não se vive uma vida abstrata. Constantemente, precisamos avaliar as situações com que nos deparamos. Exercer o processo cognitivo de comparação nos permite contextualizar as coisas; o momento pode não estar perfeito, mas está melhorando.

Muitas escolhas, como que emprego ficar, mudar de carreira, que funcionário contratar, que carro comprar, que candidato deve ser eleito são feitas após compararmos duas ou mais possibilidades.

E quando entra o fator EGO?

Como assim?  São as comparações que fazemos na tentativa de definir nossa própria identidade ou delimitar as nossas questões pessoais.

Mas calma, dentro desse contexto há comparações positivas, por exemplo, quando você avalia que seu trabalho ficou melhor do que o outro. Se sentir mais nova e com disposição.

Normalmente não são comparações que nos causam problemas. As que nos trazem problemas são as de características negativas que nos provocam sofrimento. 

A comparacite tende nos fazer sentirmos inadequadas, inseguras e até mesmo sem saída podendo nos colocar em situações desagradáveis, como:

1. Desistimos de toda e qualquer tentativa de atingir determinada meta. 

Ex: “A esta altura da vida, nunca mais vou conseguir ser tão bom profissional quanto fui um dia, então não adianta tentar.”

2. Tendência de boicotar os outros, em vez de nos aprimorarmos.

Ex: Helena você não tem uma boa ideia há uns dez anos!

Já é incômodo o bastante quando a comparação é inegavelmente correta, porém torna-se pior quando na existência de um ataque de comparacite, a comparação em questão fica distorcida, exagerada e absolutamente injusta.

O que podemos fazer para nos proteger e a curar desta inflamação?

Primeiro, extipar as comparações que, muito simplesmente, estão erradas. Para isso, devemos nos fazer uma série de perguntas:

1. O que estamos comparando?

2. Qual o grau de precisão da comparação em pauta?

3. Será que não está tirando conclusões a respeito da vida do outro com base num único fato que tem certeza?

4. Será que não está confundindo “chegar lá” com “estar lá”?

A partir dessas perguntas que nos levam a lidar melhor com essas situações, podemos ter melhores recursos para lidar com as opiniões alheias, mudar os termos da mania de comparação, analisar os prós e contras e nos comparar menos.

Até porque, você pode acabar descobrindo que a sua vida será bem mais fácil se você simplesmente comparar menos e com menos frequência.

Faço um convite a vocês, experimente e preste atenção no que acontece. Se você se permitir a parar de se comparar com os outros o tempo todo, a sua produtividade diminui? O seu grau de incômodo diminuiu?

Tá aí uma comparação boa e útil a ser feita!

Compartilhe conosco a sua experiência, será um prazer saber como foi.

Um forte abraço!

Edwiges Parra

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