Hoje em dia eu olho para trás e me sinto privilegiada por ter curtido a minha adolescência e quase todo o período da faculdade sem uma câmera me perseguindo.

Parece até discurso digno de Hollywood…mas não, apenas uma celebração de quem aproveitou a fase um pouco menos descompromissada da vida sem a companhia de um telefone celular. Ok, mãe, talvez você não tenha tido essa mesma percepção, mas a sensação de liberdade… ah…. era extraordinária.

Imagina ir a shows e curtir cada minuto sem braços animadamente levantados na sua frente; apreciar exposições de arte sem os inconvenientes selfies e facetime; descobrir a carinha dos pratos nos restaurantes e viajar sem aquela aglomeração disputando, quase que aos tapas, um melhor lugar para a foto? Além disso, quando você conhecia alguém, havia toda aquela atmosfera de mistério, o “currículo” não estava exposto para milhões de pessoas em apenas um clique. 

Ainda hoje eu procuro preservar muito a minha intimidade e daqueles que eu amo e só compartilho o que realmente vale ser exposto. Sempre com limitações. Mas o ponto que eu quero dividir aqui vai um pouco mais além…. mesmo com toda a precaução possível é impraticável manter um discurso, uma imagem que não condiz com aquilo que você realmente faz. Aquele “baile de máscaras” acabou.

Agora vamos transferir a minha narrativa para um TV show que deu o que falar? Essa proposta é bem a pegada da série da HBO “Euphoria”, que teve a sua estreia no último ano. Ao contrário do que muitos possam pensar, não se trata de uma série meramente adolescente, mas de dilemas vividos pelos personagens, muitos deles reflexos de um mundo de aparências, mas que, nessa era totalmente conectada, não se sustentam mais.

Em resumo, o que você é não pode ser mudado com um mero filtro; as suas mentiras não podem mais ser escondidas, seja nos bastidores, seja embaixo do tapete. Tudo é revelado, seja para o bem, seja para o mal.  

Por isso, esse novo mundo pede cada vez mais por cautela, por bom senso. Não se pode mais considerar tudo o que se lê como verdades absolutas e confiar cegamente naquela “celebridade” que prega a vida saudável, mas se entope de junk food quando as câmeras estão desligadas. É só uma questão de tempo para alguém dar o flagra naquelas batatas fritas recheadas de cheddar e bacon!

Sinceramente, eu não tenho a resposta de como se blindar dessa nova realidade. Por aqui, eu busco procurar a fonte da informação e questionar o máximo que eu puder a veracidade do que circula por aí. Ah, e se todos seguissem o que realmente pregam, seria muito mais fácil!

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