Como manter a saúde, bem-estar psicológico e qualidade de vida em tempos difíceis? “Dias de lutas, dias de glória”.

Queridas leitoras,

Antes de mais nada, espero do fundo do coração que vocês estejam bem e seus entes queridos também.

A pandemia completa um ano, quantas informações, mudanças, adversidades, adaptações, conflitos e evolução tivemos. Ufa… É essa a exclamação que faço quando me vejo parada em um canto do meu consultório de Psicologia, após um dia de muito trabalho.

Ultimamente, tenho um refrão da música do estimado Chorão da banda Charlie Brown Jr que não tem saído da minha cabeça:

“História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória”

Tenho certeza, para cada uma de nós e em nossas histórias, nos sentimos em dias de luta oscilando com nossos dias de glória.

Confesso particularmente, que reconhecer meus limites, aceitá-los tem sido uma tarefa bem trabalhosa, pois a todo momento tenho que manejar minhas emoções para mitigar possíveis prejuízos as minhas ações, respeitar que tem dias que preciso descansar sem ultrapassar os limites. (Bem difícil isso, mas comparado a antes já percebo um certo avanço).

Vocês se percebem nesses momentos?

Toda essa digreção e/ou partilha fazem parte de uma análise que também será acompanhada de algumas sugestões no final desta coluna que possa ser útil à cada uma de vocês respeitando a diferentes realidades de vida.

Então vamos lá…

A nova realidade do momento – Cenário do trabalho
Sabemos que conciliar a nova rotina, seja do trabalhar em casa (home office) ou precisar sair para trabalhar gerou mais desafios às mulheres e as empresas que precisaram repensar jornadas e atividades para que elas pudessem realizar dentro do possível seu trabalho de forma produtiva e saudável.

Algumas companhias desenvolveram programas voltados para promoção da saúde que envolviam atividades como ginástica laboral, mindfulness e até entretenimento para as que tem filhos. Empresas investiram em concessão de apoios psicológicos por meio de sessões de terapia no suporte a saúde mental.

Discutir a questão da sobrecarga e do aumento de estresse nesse período que ainda estamos atravessando é de suma importância, não só por olhar sobre a dinâmica daquelas que trabalha no esquema de home office, mas também as mulheres que trabalham como empreendedoras, autônomas cuja dinâmica e percepção dos impactos terão presentes outras variáveis que tornam esse cenário ainda mais pesado.

Numa pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, num contexto global indica que uma em cada quatro mulheres nos EUA cogitar mudar de carreira ou deixar a força de trabalho totalmente por causa do impacto da Covid-19.

Um fato curioso que o momento atual e ações corporativas no esquema do home office afetaram mulheres de diferentes gerações, em graus distintos. Jovens solteiras, casas, com filhos ou sem filhos sofreram, quanto as que possuem mais de 50 anos, com idade próxima ao grupo considerado de risco na pandemia.

Nesta mesma pesquisa, apenas 14% disseram ter alguma ação, política ou programa focado em mulheres acima de 50 anos.

Em minha passagem pelas empresas, tocando atualmente um programa de diversidade etária, percebo que as mulheres sofrem muito preconceito nessa faixa devido aparência. Ouso a dizer que no Brasil ainda se valoriza o estereótipo de beleza vinculado a juventude e a magreza.

As organizações precisam aprimorar seu olhar diante disso, para criar políticas e práticas para mulheres maduras, que não estejam relacionadas somente com a tal saída compulsória devido a idade ou para realocação em funções pouco qualificadas.

Precisa dispor de serviços de apoio de orientação de carreira como terapia de autoconhecimento, mentoring para orientação em um novo desafio e coaching para estabelecer estratégicas de atingimentos de mentas/objetivos com base no desenvolvimento de competências para continuar a prosperar profissionalmente.

INDEPENDENTE DO SEU PERFIL PROFISSIONAL OU MOMENTO DE VIDA QUE SE ENCONTRE NO MOMENTO…

É preciso primeiramente salvaguardar a sua saúde e bem-estar mental dentro do possível. Afinal, esses são os principais alicerces que te ajudarão a lidar com as situações adversas, ao passo que também, lhes permitirão continuar sua jornada de buscar levar uma vida com dignidade, plena e feliz.

Para isso, aqui vão algumas sugestões de perceber sobre outros olhos, que ajudará a trazer uma pouco mais de saúde e equilíbrio no seu dia a dia.

Adote a tríade da saúde
É de suma importância na melhora da qualidade de vida das pessoas em geral, mas de maneira especial nos portadores de transtornos de ansiedade e pânico.

Seus elementos correspondem a três tipos de exercício:

Aeróbico: caminhada, corrida, dança, bicicleta
Anaeróbico: musculação, ginástica com pesos, treinamento funcional;
Flaxibilidade: mobilização articular ativa, lian gong, tai chi, yoga, alongamento, massagem.

Em resumo podemos dizer, que o exercício aeróbico contribui com a alegria do indivíduo; o anaeróbico, com a força; e a flexibilidade, com o relaxamento.

Essa combinação produz equilíbrio.

Recompense a si mesmo
Valide seus sentimentos. Cuidar de si e reconhecer a importância dos próprios sentimentos, isto envolve o ato de recompensar-se o máximo possível. Reconheça quando estiveres bem.

Como?

Na próxima semana, observe tudo o que você faz, mesmo que seja minimamente positivo. Por exemplo, neste momento você está lendo um livro sobre cuidar de si. Dê a si mesmo o crédito por isso. Ou você pode fazer algum exercício ou falar com um amigo(a). Dê a sim mesmo o crédito por isso também.

Expanda os sentimentos dos quais tem consciência
Imagine-se como seu melhor amigo. Conforte-se e diga: “Estou aqui para você. Entendo o que está passando”. Tente normalizar a forma como você se sente dizendo a si mesma: “Muitas pessoas têm dificuldades como solidão, tristeza, ansiedade e raiva. Isso faz parte do ser humano. Sou humano como todos os outros”.

Logo, você não está sozinha, pois não é a única que tem sentimentos humanos. Você é como tantos outras (os).

Entenda que algumas vezes é difícil ser você
Sim, pode ser difícil ser você – repleta de sentimentos por vezes intensos, sensível, ao que está à sua volta e ao que acontece internamente principalmente em nossas fases hormonais que tanto mexem com o nosso estado psicológico e emocional, por vezes atormentada por pensamentos do que acontecer no futuro.

Há momento que podemos sentirmos sozinhas – mesmo com outras pessoas por perto – ou em momentos que fica com raiva e pode progredir a uma fúria. Em outros, podemos ser inundadas pela ansiedade (aliás isso aconteceu comigo recentemente) e não é fácil explicar por que nos encontramos ansiosas.

Não importa, o fato é que você não é a única que experimenta a vida como uma montanha-russa, uma viela escura ou caldeirão de chamas emocionais. Ninguém na verdade é completamente como você, mas você não é completamente diferente dos outros.

Em algum momento, todas nós estamos perdidas às vezes, todas buscando ser encontradas.

Mantenha fé em si mesma e na vida
Os pensamentos negativos, infelizmente tendem a fixar-se mais em nossas cabeças. Logo fazer bom uso do seu tempo com informações, imagens, relações sociais, conteúdos mais funcionais e positivos, traz energia e fortalece não só o nosso emocional, mas também o nosso espírito.

Sigamos juntas, juntas? Sim, todo o tempo dedicado em escrever esse texto com carinho e respeito, vem de um lugar o qual eu também passo pelos meus altos e baixos, e só por isso sou compassiva e solidária à você, assim como todo time do InconformIDADES.

Um forte abraço!

Obs.: Sobre o cenário do trabalho para mulheres 50+ mencionado no texto, vocês têm essa percepção? Compartilhe conosco sua experiência, gostaremos de saber.

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  1. “Há momento que podemos sentirmos sozinhas – mesmo com outras pessoas por perto”. Esse ponto é importante para mim, pois há momentos que uma sensação de vazio nos acomete de uma forma tão forte. Tento retomar o equilíbrio e, de fato, não tem sido fácil. Não costumo mais ver os jornais, algo que me causa uma ansiedade fora do comum. Quando percebi que isso estava mesmo me prejudicando, tive que tomar as rédeas da minha saúde mental. Ultimamente tenho pensado na meditação ( indicação da Lívia, também colunista daqui); estou aos poucos retomando a escrita e além de outras atividades que me ajudam a suportar esse momento tão caótico para todos nós. Essa fé em si mesmo é sim capaz de fortalecer a nossa saúde mental.

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