O mundo corporativo está se dando conta de que a característica atualmente importante não é a resiliência, e sim a antifragilidade. E eu explico a diferença: o resiliente é aquele que não deforma, que permanece igual; o antifrágil é quem melhora com as adversidades, e prospera com a mudança.

Tudo a ver conosco, não acha?

Nós, da geração X, nascemos entre os anos 1965 e 1980. Portanto antes da chegada dos computadores, celulares e de tantas outras facilidades que nos acompanham já há bastante tempo.

Crescemos sem streaming, esperando meses para a chegada de um novo filme às salas de cinemas, brincando nos clubes, praias e ruas — em um tempo que o mundo era bem menos inseguro. E, suspeito, mais divertido.

E assim seguimos, aprendendo diariamente com todas as novidades que chegaram nas últimas décadas. Vivemos em um mundo com inflação, conhecemos o dólar valendo 1 real, assistimos ao impeachment de dois presidentes. Nos formamos, trabalhamos, criamos família e amadurecemos — em meio a digitalização global.

Nós não somos resilientes. Quem de nós permaneceu onde estava?

Antifrágil

Mudamos o jeito de vestir, de agir, de viver e nos tornamos mais visíveis. Não imagino uma millenial dando conta de tudo que conseguimos fazer caber em nossa rotina.

Mas não me entenda mal, não acho que somos melhores que as outras gerações, só que acabamos nos tornando mais resistentes. E isso é uma vantagem imensa!

Somos experientes, não desistimos fácil e já deixamos o mimimi para trás — não temos tempo para isso. Por isso as profissionais da geração X têm ocupado cada vez mais posições importantes.

Essa nossa aptidão de nos mantermos em pé, sempre querendo mais, é o que tem valor no mundo VUCA em que vivemos. Já entendemos que o mundo é volátil, incerto, complexo e ambíguo. E está tudo bem.

E com isso saímos na frente para tomar decisões mais acertadas no mundo BANI — acrônimo para as palavras em inglês frágil (brittle), ansioso, não linear e incompreensível.

A nossa trajetória nos moldou para mudanças e tirou as certezas — tão comuns na juventude. Por isso nós, da geração X, acabamos ficando mais flexíveis. E por termos que lutar para conquistar o nosso lugar nos tornamos ainda mais empáticas.

Ser antifrágil não é sinônimo de ser forte — ainda bem! Porque não somos: precisamos de apoio e compreensão, como qualquer pessoa. A nossa geração só não teve o luxo de poder ser frágil.

E, por tudo o que vivemos, nos tornamos não só mais interessantes, como necessárias.

E viva a nossa antifragilidade!

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