Ela menstruou aos 12 anos enquanto estava na escola. Estudava à tarde na 6ª série do ginásio, em Curitiba. Sentiu um úmido diferente entre suas pernas e pediu para ir ao banheiro. Uma borra de sangue estava lá, estampada em sua calcinha com desenho de joaninha.

Ela sabia o que era, não sabia como seria, mas sabia o que aquela mancha era. No recreio, contou para sua amiga. Se virou com um chumaço de papel higiênico até chegar em casa. Ela queria muito chegar em casa.

Sua mãe a acolheu no final do dia, mas sem muito alvoroço. Providenciou absorventes, perguntou se ela precisava de ajuda e assim se passaram 31 anos. (Menopausei aos 43)

Nesse tempo, em nenhum momento ela pensou que um dia seu sangue cessaria, que aquele preparo tão perfeito da natureza feminina, que seu corpo tão providente e fértil, um dia deixaria de se preparar todo mês para um novo ciclo e um novo gestar. Algum problema nisso? Nenhum!!

Adiantar processos, antecipar etapas, sofrer antecipadamente pela impermanência certeira da vida não vai mudar os planos reprodutivos do nosso corpo. Esse sistema está lá, com hora marcada para acabar.

Já pensou ficarmos preocupadas com o fim disso e deixar de usufruir do que estamos vivendo enquanto o estrogênio está pulsando loucamente dentro da gente? O presente precioso do agora que só dura agora e não tem replay?

Deve ser por isso que a chegada do término reprodutivo é um atropelo para muitas de nós! A gente não para (e não quer) e fica pensando e planejando a Festa de Despedida estrogênica. O adeus com hora marcada do colágeno que grudava nossa pele ao pescoço, das noites bem dormidas e da libido sempre tão receptiva!

Não teve festa de despedida por aqui! E eles foram embora do mesmo jeito! Eu sei que houve um último dia, mas não teve camiseta para assinar, nem discurso de agradecimento e plaquinha em homenagem aos 31 anos de serviços prestados. A galera se foi mesmo, nem uma selfie!

Eu queria ter dado um tchau! Quem sabe um último brinde, a última foto. Mas “essa gente” toda aí cumpriu uma jornada linda em nossos corpos. Deu a eles a oportunidade de viver uma imensidão de experiências. Uma festa de oportunidades, um banquete recheado de encontros, desafios, crescimento, prazer, desejo, saúde e vitalidade. Quanta coisa boa vivemos no auge estrogênico de nossas vidas! Um dia eles se despedem mesmo ou a vida se despede deles por você.

Se a menopausa é só um dia? Sim! Ela é comemorada após 12 meses consecutivos sem você menstruar. Dificilmente também sabemos que dia foi ou será esse, mas após a chegada dela, continue a comemorar!

Esquece que não deu tempo de agradecer ao estrogênio, pense que agora você está diante e para sempre de um novo ciclo que vai continuar te chamando para a festa da vida. Sua existência menopáusica é agora!

A forma como vai festejar o seu agora pode ser um convite à novos começos, a um novo jeito de experimentar a vida, de se vestir, planejar, dançar, paquerar, conhecer e ser você, talvez como em nenhuma outra festa antes!

Coloca a sua melhor vestimenta, se veste de sonhos, se pinta de deusa e vai lá fazer a sua festa menopáusica!
Beijos Menopáusicos
@antesdoscinquenta

0 Shares:
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar:
Saiba Mais

Cinquentona

Devo essa a Charles Peirce Coloquei a farinha na bacia, o fermento de um lado, o sal de…
Saiba Mais

Sobre a vaidade

Acordei com um raio de sol tão insistente, chato, que parecia ter atravessado o quarto com a única…