Tenho acompanhado a vida dos pacientes, amigos e observado a minha própria nos últimos 18 meses e um fato tem me chamado a atenção: trata-se de um tédio social.

A crise da pandemia do Coronavírus nos causou inúmeros desdobramentos. Financeiros, sociais, políticos, econômicos, dentre outros, mas socialmente há um fenômeno que os especialistas vêm descrevendo como tédio social. Ocorreu uma certa tensão na ambivalência do que é importante para o indivíduo e a comunidade quer seja em grupos de Whatsapp, mídias sociais e relações no trabalho que sofreram um esgarçamento de uma maneira geral.

Nas redes sociais houve uma polarização entre as idéias sobre qualquer tipo de assunto: vacina, tratamento precoce do Coronavírus, uso de máscara, além das já diárias fake news. Todos esses fatos exacerbaram as diferenças, os ódios, a impaciência e a impressão que “não vamos mais com a cara de ninguém depois da pandemia”.

Isso aliado à fadiga pandêmica, ao cansaço imposto por horas de trabalho ininterruptos mina nossos relacionamentos sociais.

O importante é pensar que essa fase vai passar. E enquanto não passa, será importante estabelecermos relacionamentos de afeto, restabelecer atividades rotineiras que nos dão prazer e ter uma rotina de auto cuidado que implica na atenção aos afetos e emoções.

Foto: “Eha”, de Sirli Raitma

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