Estou em pleno processo de transição de carreira e alguns dias fico pensando onde eu estava com a cabeça quando resolvi sair da minha zona de conforto.

Nunca tive medo de mudar, nem na aparência, nem profissionalmente: já cortei cabelo curtíssimo quando estava quase na cintura e troquei a engenharia civil, e as obras de construção, por um trabalho em um Instituto Cultural, mergulhando na História da Arte. Mas sempre foram minhas as escolhas, no tempo que julguei serem necessárias.

Já trabalhei em museu, depois virei fotógrafa, escrevi nove livros, prestei consultorias a várias empresas e algumas pessoas físicas. O cabelo voltou a ser longo, curto novamente, o estilo de vestir foi sendo ajustado a cada momento, os meus interesses foram mudando e também o foco de nossas muitas viagens — a lazer e a trabalho.

Em 2019 entendi que era hora de mostrar parte do nosso trabalho no universo digital e voltei a estudar: na última semana daquele ano entrou no ar um portal sobre viagens com uma pegada cultural, voltado para quem quer ver além do óbvio.

Saímos de férias cheios de planos e lá já começaram os primeiros sinais de que entraríamos em pandemia. No começo de 2020 o mundo que todos nós conhecíamos entrou em stand-by. E já se passou um ano…

Olhando para trás penso ser difícil encontrar timing mais inconveniente para lançar um site e blog sobre viagens! E, no momento, sabe-se lá quando o mundo voltará a ser mundo novamente — a hora é de deixar de circular ao máximo.

No meu caso, casada com um marido oitentão, optei por nos isolarmos — e há um ano todo o nosso mundo precisou caber dentro de nossa casa. A nossa sorte é que nosso relacionamento, de vinte anos, é daqueles a qualquer prova. Se eu já sabia disso, agora está mais do que provado.

Transição de carreira

Mas, e a transição de carreira? Segui estudando Marketing Digital para entender a melhor maneira de compartilhar os nossos conteúdos e passei a trabalhar remotamente em um projeto de livro como organizadora, na pesquisa e produção de textos — já tinha feito isso antes, a única novidade é que as reuniões não eram mais presenciais.

Seguimos alimentando o nosso blog de viagens, sem maiores pretensões de lançar qualquer novo produto — não é hora. Mas, eu sou daquele tipo de gente que vive tendo ideias e que gosta de se sentir em movimento. E tenho um sócio/parceiro ainda mais inquieto: Alfredo é arquiteto e está sempre bolando um novo projeto.

E sem poder sair para espairecer, a cabeça vai fervilhando… Então, por que não começar algo novo? Já confessei aqui, em meu primeiro texto, que penei bastante para entender como me movimentar no universo digital. E pensei que, com a experiência de erros e acertos da minha jornada de aprendizagem, poderia ajudar outras pessoas.

Para que cheguem mais rápido em seus objetivos, para que melhorem seu posicionamento, para que fique mais claro o porque de estarem ali. Ajudando com estratégias, informações e a experiência de alguém que escreve há vinte anos, e que tem um Banco de Imagens com mais de 100 mil fotos. Foi assim que nasceu o @Conteudo.Digi.e.Tal.

Chegando aos 50, hora de mais um recomeço. As dificuldades de criar um projeto novo e partindo do zero, enquanto me especializo em Marketing de Conteúdo, e tendo outro projeto rodando, é algo que demanda paciência, insistência e muita ralação!

E tudo isso as voltas com as muitas chateações da perimenopausa: dores, enxaqueca, descontrole na temperatura — estou sempre ou com frio, ou com calor — e uma diminuição na paciência (ok, esse já não era um dos meus pontos fortes…). E, claro, ainda vivemos o pior momento da pandemia, com o país prestes a convulsionar.

Como muitas já declararam por aqui no Inconformidades, também estamos cansados e é preciso um esforço grande para não desanimar em meio a tantas notícias ruins. Além de sentir falta da família, de poder sair despreocupadamente, de estar com as pessoas que gostamos. Eu já estou sentindo saudades até de ir ao mercado — por enquanto preferimos seguir adeptos ao delivery.

Apostar em mais um recomeço é mesmo desafiador. Mas, quando tudo parece difícil escolho ser otimista: porque estou junto de quem escolhi para viver a vida, e porque todos os dias acordamos tendo mais a fazer do que o tempo que temos disponível.

É isso que eu recomendo para você: ocupe o seu tempo da maneira mais produtiva possível. E vamos em frente! Ah… e também desisti de me pesar com frequência. Vou controlando pelas roupas e assim estresso menos.

Fique bem, e até a próxima!

Ilustrações de Martin O’Neill e @rodis_collage

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6 comentários
  1. Acompanhei Algumas de suas mudAncas, mas a que mais me marcou foia do cabelo.. BRincadeira, mas lembro bem desA e de tantas outras que fazem parte da Vida, inclusive seguir com otimismo nos tempos sombrios.
    Bjs

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