Não é de hoje que a libido nos intriga no climatério. É de sempre. A diferença é que agora queremos entender mais sobre ela, falar mais sobre essa tal incandescência que estava ali pronta para o nosso deleite entre quatro paredes e que agora necessita percorrer longas distâncias para alcançar nossos corpos e mentes.

“Ela queria o fogo lá embaixo de volta. Desejava que seu corpo atendesse ao chamado do momento, ao clima propositalmente elaborado pelo seu parceiro (a) te chamando para o ato.” “ – Que história é essa de fazer com dor agora? – Quem manda aqui embaixo sou eu. – dizia ela à sua vulva em seu banheiro menopáusico. Tudo tinha se alterado tão rápido e ela achava que agora seria exatamente assim e se contente! E fique agradecida se o seu relacionamento continuar em pé!”

Muitas de nós já tivemos esse pensamento e por pura falta de informações e acolhimento pensamos que essa seria a nossa realidade eterna. De repente (não tão de repente assim) seu corpo se faz árido, sua resposta sexual se faz desidratada, sem ressonância. E você pouco entende, se ressente, se fecha e se encolhe. Encolhe seu assoalho pélvico nas quatro paredes, encolhe seu desejo até caber num cantinho do quarto e a libido fica ali adormecida e pálida e com pouca iniciativa para varrer a poeira, sair debaixo do tapete e te oferecer uma saída.

Pode ser orgânico, pode ser físico, pode ser emocional, pode ser passageiro e pode te incomodar de tantas formas que dá trabalho pensar nisso. O desenho arquitetônico do seu desejo sempre foi percorrido por você? A libido que te fervia, você saberia descrever como era? O seu corpo tão sábio guardador de seus sentidos e sensações era explorado de portas abertas?

Te pergunto isso porque a menopausa vai querer te fazer esse convite quando chegar e te garanto que ela vai esperar ansiosamente pela sua confirmação a tempo de te mostrar o quanto ela está aberta e é capaz de abrir novos caminhos para o SEU prazer. Ela está acontecendo aí dentro de você, ela é única e adora um desafio. Pode ser que agora, definitivamente, para muitas de nós seja a primeira vez que esse prazer e o espaço dele dentro de você seja só seu! Pode ser necessário e também maravilhoso essa descoberta.

Movimente o seu desejo sexual que não é somente carnal! Busque prazer em momentos, experiências, em cuidados pessoais e em tudo aquilo que te pulsa mais acelerado e te faz rir sozinha quando você se encontra em seu recanto perfeito pessoal. O seu desejo aflora na sua pele quando o quê? Seu braço arrepia quando o quê? Sobe um quentinho lá de baixo quando o quê? Vamos iniciar esse ritual menopáusico de desejo com essas perguntas, com esses pequenos experimentos? E, aos poucos avançar para investidas mais íntimas como uma deliciosa masturbação? Ou vamos iniciar tudo junto que é mais gostoso?

Se será mais fácil começar pelas paredes de dentro ou de fora, só você pode saber. Se essas descobertas vão elevar a sua autoestima sexual e a busca por novas narrativas de desejo, tomara! Se novas amizades sinceras como lubrificantes e sexs toys vão aparecer para você, se entrega! Se o diálogo aberto com o parceiro(a) trouxer luz para o relacionamento, fale tudo! E lembre sempre de buscar ajuda profissional para que essa reforma, se for necessária, fique completa.

Sua vida menopáusica acontece dentro e fora de quatro paredes. Seu desejo pode necessitar se expandir do chão ao teto como nunca antes. Você decide se essa edificação vai continuar igual ou se será necessário uma reforma geral. Quebrar paredes, abrir vãos ou novas janelas pode ser o start para seu novo projeto de desejo. Nada menos delicioso, apenas melhor elaborado.

Beijos menopáusicos!
Até o próximo

Dani Chyla @antesdoscinquenta

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