Eu nasci em 1966 em São Paulo. Pisciana com ascendente em Escorpião. Água transborda em mim. Sempre fui muito avoada, sonhadora e tinha um olhar diferente para as coisas. Sou a mais velha das filhas. Tenho uma irmã que nasceu com paralisia cerebral, hoje “deficiência intelectual”.

Eu me virei muitas vezes sozinha. Minha mãe tomava conta da minha irmã, dos meus avós, da casa… De tudo. Meu pai trabalhava na administração da Eternit desde os 14 anos. Se aposentou por lá.

Sempre fui muito espirituosa, irônica e de fácil riso. Flexível, resiliente. Na época de ginásio e colégio; além de amar participar de eventos de gincanas (desafios), eu me arriscava a fazer bolsas, blusas em crochê e tricô. Ah, de quantas camisetas eu cortei mangas, a parte da frente, de trás, para preencher com crochê. Trabalhos manuais foi sempre uma paixão.

Na faculdade prestei Jornalismo, Astronomia, Letras, Fisioterapia. Na minha cabeça eu sempre tive várias vontades. Por fim, escolhi Letras. Achava que um dia poderia virar escritora, porque eu escrevia contos infantis. Jamais publicados ou revelados! Eu trabalhava na Du Pont do Brasil durante o dia e estudava à noite na USP.

No último ano da faculdade, eu fui para os EUA, era 1988. Conheci uma família que me acolheu e lá eu mandava meus trabalhos para concluir parte do curso. A cidade era Bloomington, e a universidade onde eu frequentava a biblioteca era a Indiana University. Voltei em 1989, e ingressei na HP (Hewlett Packard), em Alphaville. De Teflon, pesticidas e tintas, migrei para a área de Tecnologia da Informação.

Era um prédio lindo, moderno. Conheci meu marido na HP. Eu fui trabalhar em marketing. Nos fins de semana, eu estudava para as provas, e também fazia cursos de corte e costura; ponto cruz, bijouterias. Escrevia.

Em 1994, me casei e fui morar em Londres. Soube que ia casar um mês antes de viajarmos! Que loucura! Deixei a HP, tratei de arrumar meus documentos para tentar estudar lá também para ocupar meu tempo. Meu marido foi fazer um MBA na London Business School e eu fui estudar marketing internacional, passear, cozinhar, cuidar da casa.

Voltamos um ano depois e eu assumi a gerência de marketing numa empresa de TI. Depois eu assumi América Latina. Em 1998, nasceu minha primeira filha, Gabriela. Em 2001, meu filho, Gustavo.

Em 2003 eu sai do mercado como CLT e fundei a UP Marketing, uma empresa de eventos corporativos. Eu queria criar eventos mais criativos, mais cenográficos. A área de TI não era muito criativa em eventos. Era muito árido. Eu queria deixar algo mais suave para um assunto tão “duro” e cheio de testosterona.

Foi em 2009 que eu conheci o curso de joalheria artesanal. Me apaixonei. Fazia o curso aos sábados numa escola na Vila Mariana. Ao longo dos anos, eu fui comprando pedras, pratas, uma bancada para trabalhar na varanda do meu quarto, ferramentas etc.

Há anos, minhas amigas me pedem para eu mostrar as peças que faço, por para vender. Mas eu sempre fui muito exigente comigo mesma e nunca me achava boa suficiente para mostrar algo e alguém se interessar, apesar de receber elogios. Mesmos meus eventos mais lindos e criativos, eu nunca ficava satisfeita se não fossem perfeitos.

Ao final de 2019, eu comecei a pensar na ideia de me expôr de forma mais profissional. Começou a ideia do: “por que não?” Minha sócia me marcou num post da Clau Arruga @Cool50s. E aí comecei a perceber que tinham muitas mulheres na minha idade que se sentiam invisíveis como eu e que podiam, sim, se expor, e que eu não precisava ter tanto receio.

Seus posts traziam (e trazem) sempre um olhar mais carinhoso, atento e esperançoso para quem passara dos 40. Não estou puxando o saco. A voz feminina da maturidade veio ganhando força recentemente, não é?

Algo me tocou, também, num podcast com a Elizabeth Gilbert e a Oprah (sou fanzaça). Ela dizia que tudo bem gostar de várias coisas. Porque eu sempre senti que eu era uma doida, sem foco. Como assim, gostar de muitas coisas ao mesmo tempo??! ☺ ☺

Mas foi em fevereiro do ano passado (2020), quando comecei a pesar todos os prós e contras para formalizar uma marca com minhas criações. Contratei uma consultora que me ajudou a olhar quem eu era. O que a marca iria representar. Ela também acabou me mostrando outras frentes de pessoas que estavam apontando uma “luz” para a maturidade.

Depois de uns meses com ela, resolvi contratar uma empresa para criação do nome. Eu não queria que tivesse meu nome, eu sou muito tímida e não queria aparecer assim logo de cara! Bobagem! Mas essa sou eu!

Da consultoria em marcas, nasceu a Somma8 @somma8. Somma porque é em italiano (minha família toda descende da Itália), e 8 porque quando eu ponho na horizontal, vira infinito. Nas minhas criações eu posso ter infinitas ideias, trabalhar com infinitos materiais, infinitas combinações de pedras. Eu achei que o nome era bacana e combinava comigo!

Ano passado, eu reformei um quarto no meu apartamento onde eu montei meu ateliê. Eu desenho as peças e produzo, peço ajuda de profissionais do ramo, se necessário. Compro prata aqui em São Paulo mesmo, minhas pedras vêm de Minas Gerais ou Bahia. Tenho vontade de montar um espaço dentro de alguma loja de roupas, cuja modelagem e design seja mais parecido com minhas peças: colorido, linhas orgânicas, atemporal, bem feminino.

O que eu recomendo para quem está começando:
1 – Respeite seu momento. Sua agenda interna. Estar bem consigo é muito importante.
2 – Vá com medo mesmo. Quando eu tenho medo, eu falo para mim: “o ótimo é inimigo do bom”. O que isso significa para mim? Muito. O medo as vezes é bom. É protetor. Mas para pessoas como eu, que ama bastidor ao invés de holofote, o medo pode paralisar. E quando paralisa, você trava. Travando, você deixa de fazer muitas coisas legais, porque o medo cria monstros que muitas vezes ou quase sempre não existem.
3 – Planeje o mínimo para te dar segurança para o arranque inicial. Não fiz business plan para daqui há 5 anos, não fiz planilhas mirabolantes cheias de gráficos, variáveis. Sei que eu tenho umas economias que guardei para este momento. Vou planejando em etapas de prazos curtos e médios.

Bem isso é um pouquinho de mim!
Obrigada por “me ler”!
Beijos
Lu

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