Embora a sabedoria convencional e a percepção pública ainda não tenham alcançado a ideia de mulheres, trabalhando atrás do bar, 60% de quem trabalha como bartender de hoje são mulheres.

A boa relação entre as mulheres e a bebida é histórica. Na antiga Suméria, acreditava-se que as mulheres eram as inventoras da cerveja e deusas protegiam sua fabricação. Já no Novo Mundo, a mentalidade estava mais para arcaica e algumas mulheres “cervejeiras” foram acusadas de bruxaria… Provavelmente porque algumas das bruxas de Salem eram donas de estalagens.

Cuidar de tabernas era uma profissão socialmente aceitável para as mulheres mesmo com restrições da época dos Puritanos, até meados do século 19 quando se tornou absolutamente proibido.

Vem a Lei Seca e os bares deram lugar aos “speaksies” – bares clandestinos – nos quais melindrosas amantes da diversão podiam ser encontradas bebendo em público com os homens. Vêm desta época os banheiros separados (“powder rooms”)… E provavelmente com eles aquele hábito feminino de ir junto no banheiro e falar em poucos minutos sobre tudo o que aconteceu na última hora… Inclusive decidir sobre o nosso destino!

Precisou de uma Guerra para balancear a mistura. Na Segunda Guerra Mundial os homens embarcam em serviço e as mulheres assumiram o posto do outro lado do balcão. A princípio como “barmaids temporárias” elas já se destacaram por mexer ou chacoalhar um Martini ou Whisky Sour “com a mesma naturalidade com a qual expulsavam um bêbado desagradável do bar.”

Bartenders
Ada Coleman,
Head Bartender do Hotel Savoy em Londres

As figuras de “Rosie the Riveter” e “Bessie the Bartender” se tornam icônicas no marketing patriótico.

E então, quando as coisas pareciam estar se nivelando o inevitável aconteceu: os caras voltaram heroicamente do exterior, esperando encontrar seus empregos, e suas esposas, exatamente como os haviam deixado (porque homem é assim “básico”!).

Muitas mulheres americanas voltaram ao lar, enquanto outras ficaram firmes em seus jiggers e shakers, recusando-se a desistir da profissão lucrativa e respeitada que as havia tratado tão gentilmente durante seus anos de serviço.

Mas foi só na década de 1970 que a lei reconhece o inquestionável e as mulheres voltam à cena consolidando no decorrer da década seguinte o talento, trabalho duro, determinação, criatividade e habilidade que dão muito mais charme do outro lado do balcão, e às misturas maravilhosas que servem.

Enquanto o cinema ainda privilegia o bartender, ninguém pode negar que “Show Bar” ou “Coyote Ugly” (2000) é um clássico.

A música, outro clássico country; “The Devil Went Down to Georgia” com Charlie Daniels Band, alias, uma da trilha sonora de “Urban Cowboy” (Cowboy do Asfalto), de 1980, com Debra Winger, Scott Glenn e… John Travolta.

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