Você já ouviu essa palavra, que vem pipocando pela mídia e nada mais é do que a discriminação pela idade. Sim, ageismo ou “ageism” é um preconceito pra lá de arraigado, e tão internalizado na nossa cultura que talvez levem décadas para se resetar a mentalidade de que a idade nos faz obsoletos.

Nós aprendemos, em algum lugar das nossas vidas, que os 20 e os 30 anos são as décadas em que somos mais bonitas, mais atraentes e mais vistas.

Nós ouvimos, desde sempre, que o sinônimo de criatividade, inovação e vitalidade é a juventude, mesmo sabendo, agora na maturidade, que podemos carregar esses adjetivos  ao longo das nossas vidas.

Nós, mulheres maduras, somos guerreiras em uma batalha silenciosa, em que o preconceito ETÁRIO  se encontra infiltrado em todas as esferas, inclusive por nós mesmas, e passou do tempo de nos sentirmos infelizes na medida em que envelhecemos. Afinal, quem fez essas regras? 

Não podemos nos esquecer que fomos as meninas que tiveram independência financeira ao mesmo tempo que criaram os seus filhos. Nossas mães pavimentaram o caminho para que a nossa geração pudesse obter diplomas, mestrados, doutorados, ter a opção de constituir ou não uma família, congelar nossos óvulos.

Como bem disse Gloria Steinem, a lendária ativista americana que lutou na década de 70 pelos direitos das mulheres, “nós nos tornamos os homens com quem gostaríamos de nos casar” (fiz recentemente um post sobre Steinem no meu perfil do Instagram @Cool50s – tem filme bom daqui a pouco estreando por aqui com Julianne Moore no papel de Gloria).

E por que, mesmo com todas as nossas conquistas, ainda somos marginalizadas quando amadurecemos? Por que deixamos de comemorar nossos aniversários com festas, bolo, champagne, e nos curvamos àquele velho bordão “ah, eu fiz quarenta e muitos” sem jamais revelar a nossa idade?

“É tempo de mudar a conversa sobre envelhecimento”, prega a escritora americana Ashton Applewhite, uma das vozes mais poderosas que vem se levantando nos Estados Unidos contra o “ageism”.

“Envelhecer não é um problema para ser consertado ou uma doença a ser curada”, Applewhite reforça em um dos TedTalks mais bacanas que já assisti, o Let’s End Ageism. “As mulheres vivenciam o pior lado do ageism, porque a noção de idade valoriza o homem e desqualifica a mulher”, ela finaliza.

Afinal, amadurecer não significa mais seguir os mesmos padrões previsíveis de sempre, e precisamos sair da caixinha que nos colocaram baseadas no numero de anos que temos.

Temos que parar de repetir a frase que sai automaticamente  da nossa boca: “Ah, mas você está linda pra sua idade!”

Por que não falar com vontade “você é linda!”, sem condicionar a beleza às décadas vividas?  Vamos ser as primeiras a combater o “ageism” nos nossos  círculos mais íntimos, já que agora na maturidade finalmente podemos nos vestir de nós mesmas. 

E sem esquecer jamais: somos as meninas que cresceram nos anos 80, onde está o nosso poder de fogo?

Um beijo e até a próxima!

Ah, na foto acima coloquei a incrível Tilda Swinton na campanha da joalheria italiana Pommelato. Diva né?

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Como o amadurecimento pode trazer calma e paz? Precisamos de tanto? Respire fundo e siga! (Temos uma poetisa no site!!!)