“Fomos lá por tudo o que precisávamos. Fomos lá quando estávamos com sede, é claro, e quando com fome, e quando mortos de cansaço. Fomos lá quando felizes, para comemorar, e quando tristes, para ficar de mau humor. Fomos lá depois de casamentos e funerais, depois de algo, para acalmar nossos nervos, e sempre antes para uma injeção de coragem. Fomos lá quando não sabíamos o que precisávamos, esperando que alguém pudesse nos dizer. Fomos lá quando procuramos por amor, sexo, ou problemas, ou por alguém que tinha desaparecido, porque cedo ou tarde todos apareceram lá. Acima de tudo fomos lá quando precisávamos ser encontrados.” (J.R. Moehringer, citação do livro “The Tender Bar”)

Mulher na frente de um carro verde

Descrição gerada automaticamente com confiança média
The Tender Bar (2022 @ Prime Video)

A boa novidade da semana foi sem dúvida o lançamento do filme “The Tender Bar (Bar Doce Lar)”, adaptação do livro de memórias de J.R Moehringer, com George Clooney na direção e Ben Affleck atuando ao lado de muita gente boa.

Ainda que os dois tenham declarado que não fariam um filme juntos “porque seria muito charme nas telas”, o resultado com cada um de um lado das câmeras foi excelente. E dane-se o que diz a crítica.

Por aqui no Inconformidades, quem viu, gostou e já tem até boas menções ao filme por parte dos colegas colunistas. O filme é tão interessante quanto o livro e traz algumas verdades que fazem a gente pensar. 

A partir daqui, quem não quer spoilers, melhor ver o filme e depois ler o artigo!

Bom, só de falar que um dos pontos principais do filme é um bar, já me ganhou. Daí o trecho de abertura do artigo.

Talvez pelas atuais circunstâncias, alguns pontos chamaram mais a minha atenção. Primeiro, a casa; ainda que não para a mãe, era o lar para o menino. Uma bagunça de gente, mas para JR era o lugar onde todos estavam e para onde se volta.

Casa é onde a gente faz a vida, onde está a família, onde se tem conforto e aconchego. Não depende de endereço, mas de quem tá junto. É onde sua história é escrita. Às vezes a gente escreve cada capítulo da vida em uma casa diferente, o que não as torna menos especiais.

Era o lugar dos avós, do “arrego”, para onde todos corriam quando apertava ou algo dava errado, onde tinha o avô que as vezes assume a figura de pai. Lá em casa é assim, tem avô que é pai e a porta está sempre aberta.

O filme fala também de amor, carinho, cuidado. Aquele tipo de amor que dá esperança. No caso de JR, o da mãe, persistente até o fim em apoiar e acreditar no filho mesmo nas circunstâncias mais adversas. 

O amor tem disso. Se é verdadeiro, não importa de quem venha, ele dá esperança para nós. De dias melhores, de um motivo para sair da cama. Enquanto ainda é paixão, traz aquele ânimo de vida e de vontade de estar junto do outro. Amor de bem querer.

Amor de “tio”, aquele para quem você olha como referência e te ensina as boas coisas da vida. E quem não tem um “Charlie” na vida?

Homem com a mão no rosto

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa
Ben Affleck e Daniel Ranieri

Além dos meus pais, eu tive a “Biza”, minha avó –que ensinou o valor de viver feliz, mesmo nas horas mais difíceis– o Tio Bella –fonte preciosa de conhecimento e sabedoria– e um ou dois amigos que sempre foram, e são, os que aconselham. 

Às vezes basta uns drinks em silêncio, outras vezes, ouvir umas verdades. Creio que todos temos os “Charlies” que levamos com a gente pela vida. O tio orienta também sobre as “ciências masculinas” como os “sábados (de ressaca) na vida de um homem”, cuidar da mãe, ser um bom filho e o dinheiro de emergência escondido na carteira. E nunca beba seu dinheiro de emergência! Sábio conselho.

“Tenha o seu drink”… Isso é óbvio e obrigatório. À medida que você cresce deve saber beber e “o quê” beber, já falamos disso por aqui. Seja cerveja, um whisky puro ou um Negroni, você cresce e tem que ter aquele drink que te acompanha e rega as melhores histórias. Pra mim, ultimamente, o Negroni.

Outra coisa boa é o “backing-up” de um ao outro no bar. São os drinks oferecidos pelos habituais a alguém em sinal de respeito, admiração ou simples diversão. 

Quantas vezes se está bebendo e tem-se conversas interessantes com a pessoa do outro lado do balcão, com o bartender, o garçom ou o camarada que você até hoje não lembra o nome, mas no fim acabaram bebendo uma ou mais doses juntos.

O filme e o livro são ricos em boas frases. Uma delas é: “você tem que provar pelo menos á você mesmo!”. Verdade, quantas vezes temos que provar as coisas a nós mesmos ou deixarmos algo acontecer só para ver no que dá.

Pessoa sentada no chão

Descrição gerada automaticamente

Outra boa e não menos importante ou definitiva: “as mulheres decidem”. 

Fato. Podemos achar que decidimos alguma coisa e muitas vezes até influenciamos uma decisão, mas no final, quem decide são elas!

No fim, é tudo sobre o esforço de um menino de onze anos em tornar-se um homem e como, muitas vezes de coração, ainda somos meninos de onze anos.

Ah! A trilha sonora também é ótima e de todas as músicas eu vou ficar com “I Thought I Was a Child”, Jackson Browne

“I thought I was a child, until you turned and smiled
I thought I knew where I was going, until I heard your laughter flowing
And came upon the wisdom in your eyes
Surprise…”

Corre lá ver o filme com o “seu” drink na mão…

Cheers!

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