Muita gente, quando conhece a Drink’n The Pot e contamos que foi um negócio iniciado durante a Pandemia fala a quão “sensacional” ou “inovadora” é a iniciativa. Eu também achava isso, até perceber o viés de “sobrevivência” que a Drink’n é para mim!

Afinal de contas, lá estava eu, arquiteto, gestor de Facilities e Real Estate, recém-saído de uma multinacional e “recém-entrado” nos 50 anos, com dois “burn outs” nas costas, vendo o mercado de trabalho embolar com a pandemia… E precisando me reinventar.

50 anos
“Eu bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes”
(Ernest Hemingway)

Não é uma situação confortável.
Primeiro porque cheguei nos 50 anos; não sei vocês, mas eu criei um “patamar mítico” para a idade: “Quando eu tiver 50 anos estarei assim, terei isso ou aquilo”… Fato é que eu estava quase que no absoluto oposto do que imaginei.

O otimismo e as oportunidades de trabalho imediatamente entraram em novo patamar; você passa a ser “muito grande para a posição” ou “desmotivado” porque “seu Curriculum é muito para o cargo”, resumindo; a experiência profissional que você acumulou em 30 anos não é necessariamente a solução, e você passa a ser visto como “muito velho” para o mercado de trabalho.

Preocupação em dobro… E coitado de quem, em meio a uma situação dessas, tem grilos com a idade! Os 50 anos não são um problema, nunca tive nada contra o “envelhecer”. Dentre outras conquistas, a idade traz uma coisa que acho um bálsamo; você simplesmente não tem mais saco para um monte de coisas… e pessoas.

No entanto, o que poderia ser maravilhosamente libertador tem sido por demais cerceado já que você nem sempre pode falar o que pensa e quando bem entende, pois sempre tem um “incomodado” de plantão.
Gosto de “inconformados”, não “incomodados”!

Espero que com 80 eu consiga estar igual a minha avó, naquela condição incrível de dizer o que pensa e as pessoas “deixam, porque ela é velhinha”. Mal sabiam da lucidez e sabedoria que ela expressava com um sarcasmo delicadíssimo.

Criamos um limite a nossa paz e respeito pessoal e nos tornamos naturalmente mais seletivos a tudo e todos que confrontam este limite. No meu caso, a falta de paciência só aumenta.

Por exemplo, tenho preguiça de acompanhar as desventuras dos amigos de 40+ com meninas de 30- no Tinder! Estórias que poderiam ser uma saudável transgressão se vividas com alguma maturidade, estão mais para filme de terror!

E tudo parece ter sido exponencialmente aumentado pela droga do Covid. Essa pandemia afetou a vida de todos de uma maneira extraordinária, tanto individualmente (os medos da doença, as consequências do isolamento) quanto socialmente (as vidas afetadas tão perto de nós, as consequências econômicas, as loterias políticas).

Nesse contexto, acho que um dos efeitos (colaterais ou não) mais nocivos do Covid é o aumento da chatice. A quantidade de gente chata e/ou desocupada cresce tanto quanto o número e casos! (Sem sarcasmo nenhum aqui, por favor!). As consequências disso só testam a nossa paciência.

Chove post de foto com carteira de vacinação! Só falta tirar de frente e perfil para parecer foto de fichado na polícia. Pelo amor de Deus!

50 anos
mugshot do Steve mcqueen

E a pessoa que escolhe qual vacina quer tomar? Certamente vai encontrar um espírito de porco no grupo do WhatsApp para meter o pau na escolha ou na marca que a pessoa escolheu. Deixa escolher, importante é vacinar!

E a juventude desocupada então? Arranjaram argumento para continuar desocupada e atormentando os que trabalham com teorias estrambólicas. Resultado; um bando de especialistas que não sabem nem que profissão escolher, mas sabem tudo sobre a pandemia, o governo e a sua vida.

Bom, em meio á tudo isso uma coisa é certa; beber é necessário! E beber direito é ainda mais relevante, então encontramos uma maneira de fazer drinks do jeito que acreditamos e acompanhados do que mais gostamos; essência e conteúdo.

Juntamos amigos talentosos e tivemos que “se virar nos 50” para fazer a coisa funcionar. E como vieram coisas boas com isso! Conhecemos uma turma maravilhosa nos @Cool50s e no Inconformidades e a cada dia seguimos numa deliciosa mistura de conversas, novas ideias e aprendizado de vida.

Boas relações, boas vibrações trazem naturalmente boas histórias e bons brindes e assim vamos superando a pandemia, gente chata e as agruras da idade (para quem as tem!). No fim, bom mesmo é se cercar de gente que quer e acredita no melhor. Em tudo.

De todos os filmes, essa pandemia me fez rever “ O Grande Lebowski”, dos Irmãos Cohen. O filme é pré anos 2000 e 9/11, quando os Estados Unidos eram outros, e o personagem de Jeff Bridges (“The Dude”) traz uma perspectiva simples e divertida frente aos desafios que enfrenta.

E esperando que, em breve possamos bater nossos papos pessoalmente, a música de hoje é “No More Lockdown” com Van Morrison.

Cheers e até o próximo drink!

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