É comum lermos matérias de pessoas que se reinventam, transformam hobbies em trabalho, decidem dar um outro rumo para vida… Eu sempre amo ver e ler sobre a capacidade que temos de abraçar lados nossos que não conhecíamos, aprender habilidades novas e viver sonhos que nunca tínhamos sonhado antes. Por isso a minha entrevistada é a minha prima Roberta Levy, que já trabalhou no mercado financeiro, ficou dez anos na Daslu, teve uma marca de roupa com a Patricia Vieira, tem três filhos adultos e acaba de se formar atriz pelo Celia Helena aos 57 anos.

Roberta Levy

Ro, depois dos seus filhos virarem adultos e de ter trabalhado muito tempo com moda, você acaba de se tornar atriz. Como surgiu a vontade de cursar Artes Cênicas?

Ale, quando pequena meu era sonho era ser uma chacrete, assistia o programa do Chacrinha e ficava sonhando e imaginando, como seria estar na TV. Sempre gostei muito de novelas, filmes e também me interessava pela vida deles. Tinha uma pasta de autógrafos, e todo e qualquer artista que eu encontrava, lá estava eu me apresentando e pedindo um autógrafo! Paguei vários micos, mas também tive meus momentos, como por exemplo, uma vez estava com um grupo de amigos em uma estação de esqui, e aparece ninguém menos que o Antonio Banderas, todos duvidaram que eu fosse falar com ele, fizemos uma aposta. Lá fui eu me apresentar para ele, não só ganhei a aposta, como ele me deu um abraço e sugeriu dividirmos o prêmio! Sempre tive o sonho de ser uma artista, quatro anos atrás eu estava trabalhando em uma confecção de roupas de couro, e confesso, muito cansada do trabalho. Um dia encontrei a Ligia Cortez no cabeleireiro, lá fui eu me apresentar… Conversei com ela e disse: “Quero ser uma artista da terceira idade!” E ela me contou sobre a faculdade, e que o vestibular seria em 15 dias. Pedi demissão, fiz o vestibular, passei, e aqui estou eu formada!

Tenho a impressão que se eu voltasse para a faculdade agora seria uma experiência antropológica em termos geracionais. Como foi essa experiência para você? E quais outros aprendizados você teve nesse período?

Foi uma experiência maravilhosa! Me senti acolhida desde o primeiro momento! A idade dos meus colegas variava dos 18 aos 22, tinham dois com 38. No começo achei que me tornaria uma mãezona da classe, o que não ocorreu, fiquei amiga deles! Muitas vezes até me esqueci da minha idade, pois aprendi MUITO com eles, vivi de perto os problemas deles, que nos dias de hoje são completamente diferentes dos problemas que eu tinha nessa idade. Entendi melhor os meus filhos e seus pontos de vista, foi um grande aprendizado de vida e cultura. Uma das coisas mais importantes que aprendi nesse processo foi ouvir o outro, as opiniões, a vida e o mundo deles era completamente diferente dos meus, porém aprendi a ouvir, e a respeitar opiniões diferentes das minhas, e muitas vezes também mudei de opinião após ouvi-los. Abri muito minha cabeça, se eu pudesse, falaria para todas as pessoas fazerem faculdade de teatro, é bom para a vida!

Vou fazer 40 esse ano, cheia de ansiedade … O que a Roberta de hoje diria para o Roberta de 20 anos atrás?

Tenho orgulho da mulher que você se transformou! Não se acomodou, mudou sua vida. E continua na ativa, sempre querendo fazer uma coisa nova, aprender. Uma coisa que eu pensava lá trás e que eu diria ainda hoje, é que o esporte é um grande companheiro para a vida toda! A Roberta de 20 anos atrás está aqui, seguindo o seu caminho e correndo atrás dos sonhos!

Quais são seus sonhos profissionais e pessoais?

Eu adoraria, atuar na televisão, mesmo que em um comercial, no começo, me cadastrei em algumas agências, mas até agora ainda não surgiu nada. Tenho vontade também de fazer uma pós graduação para escrever uma minissérie, sobre uma passagem da minha vida, que já tem até nome, “Faces da Loucura”, mas isso é uma outra história!

Quem te inspira e por quê?
Qualquer pessoa que tenha vida, garra para aprender, para transformar a vida quando necessário e alegria de viver, Me inspira!

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