“Se eu nunca ver você de novo, eu sempre vou levar você dentro, fora, na ponta dos meus dedos, nas bordas da minha mente e em centros, centros do que eu sou do que restou…” Charles Bukowski.

(Na foto que abre o post, uma cena de “Harry e Sally – Feitos um para o outro”.)

Digo que sem paixão -ou guerra- não haveria muitos escritores, poetas ou músicos. Afinal de contas, sem amor e paixão ficaríamos sem algumas das grandes histórias escritas ou cantadas.

Certamente os bartenders também teriam um pouco mais de paz, por não precisarem abastecer a fossa alheia, aguentarem lamentos de balcão ou assistir à cantadas sofríveis.

Já cheguei a achar que a paixão é um conceito romântico e fora de moda. Mas não parece ser este o caso. Vale reiterar aqui o conceito de paixão; substantivo feminino; “sentimento intenso que pode alterar o comportamento ou pensamento… Atração viva… Excesso de entusiasmo.”

Vamos ficar com a parte boa da definição uma vez que o conceito também pode ser aplicar de maneira negativa. Eu estou falando aqui de paixão das boas, aquela tradicional, que dá frio na barriga, faz olho brilhar, sorrir de graça e acordar feliz com “bom dia” da pessoa.

Paixão que faz a gente ficar atrapalhado, naquela confusão gostosa e na espera do dia em que vai ver outro de novo, sabe? E não escrevo por acaso. Não é de hoje o questionamento se essa paixão das boas ainda acontece depois dos 50+.

Experencias e relatos recentes demonstram que sim! A busca por uma paixão continua mesmo no mundo no qual as pessoas se colocam à prateleira dos aplicativos ou se entregam a amores fugazes.

Você pode ser jovem e querer ficar junto para sempre ou velho e só querer ver o outro de vez em quando, não importa, é comum a busca por algo diferente com alguém especial.

E podemos concordar que paixão não faz mal a ninguém, aliás faz até muito bem.
E paixão não funciona sozinho, tem que ter par.
E par para se apaixonar a gente encontra de repente, sem planejar. Pode ser alguém que você conhece faz tempo como Harry e Sally ou muito diferente de você como o Eduardo e Monica, não importa.

Às vezes você se apaixona e ela fica, cresce, vira amor e faz história. Outras, você encontra e perde, por motivo justo ou simplesmente porque o outro decidiu ir embora. É, paixão quando dá certo dá algum trabalho também!…

São negronis e martinis que regam bons momentos e outros tantos que seguram os dias difíceis, afinal, como disse o poeta, “o amar pode ser breve e o esquecer, longo”.

Eu acredito que as paixões verdadeiras sempre deixam boas coisas para trás, não importa quanto tempo durem, elas sempre têm uma tanto de coisa boa que você leva para a vida.

Esses dias, um colega acompanhou o filho de 17 anos ao terapeuta. Quando o rapaz disse que estava deprimido por ter tomado o primeiro fora, ele, truculento, respondeu: “Era isso?! Isso vai acontecer muito na sua vida ainda!”… Basta dizer que depois dessa o terapeuta teve mais trabalho para cuidar do moleque.

Paixão acontece de tudo quanto é jeito. Tem a paixão da escola, aquela coisa adolescente, que não sofre as ações do tempo e vira aquele amor platônico, do tipo que a gente sorri sempre que pensa na pessoa.

Este tipo de paixão pode ter começado com um Keep Cooler, Cuba Libre ou cerveja quente, não importa, normalmente é sempre uma lembrança gostosa.

Paixão vira casamento também, se você tiver sorte. Aí é coisa mais séria. Vem com “eu te amo”, família, planos, casa e quando você vê, são anos juntos. Tem gente que tem a benção de ver os anos passarem e a paixão ficar firme e forte.

Mas, de quando em vez, a gente perde a liga e o sentimento não é suficiente para segurar tudo junto e se separa. A separação pode até despertar “o lado negro” da paixão – a raiva, o não querer ver – mas no longo prazo as boas lembranças sempre ficam.

Essas paixões são bem regadas a champanhes, bons vinhos e whisky. E por mais que passe o tempo, a gente sempre lembra do tanto que gostou do outro. É gostoso. Tem vez até que dá saudade da pessoa!

E tem mais, às vezes não dá certo na primeira vez, mas funciona na última. Quando a gente tem 50+ eu acho que estes tipos de paixão são comuns á maioria.

Passa a ser comum também a busca por algo mais prático, sem a necessidade de um rótulo e olhamos mais para outros valores como companheirismo, cumplicidade e admiração. Mas vale dizer que isso tudo, sem paixão, fica meio insosso, sem propósito? Tenho dúvidas se isso tudo se segura sem paixão mútua.

Com a idade também a gente se arma, se protege, se enche de conceitos de como vai viver a vida. Mas a paixão pode acontecer de repente e bagunçar um pouco dessa ordem, fazer a gente perder o controle.

Bom demais isso, e não importa se é paixão mais madura ou adolescente, essa bagunça faz um bem danado. Negronis acompanham essas paixões e embalam os momentos em que a gente fica pensando se atravessa a ponte para ficar com o outro ou mantém o controle e segue sozinho.

Tenho dito uma coisa: se é leve e faz bem, por que não viver?! Se joga, vai ver qual é. Pode ser um que termina com pé da bunda ou daquelas que acaba em casamento, mas uma coisa e comum a qualquer paixão: você só vai descobrir se tentar.

Achou uma paixão? Então escolha um drink, a música de vocês e vai em frente, deixa que as dúvidas vão se esclarecendo no caminho. Porque paixão de verdade ainda é raro, é bom e faz bem pros olhos.

A música de hoje vou no clássico da paixonite adolescente “True” com Spandau Ballet.

Tem um caminhão de filme bom sobre paixão, mas vou ficar com um que me emociona sempre, em que a paixão desandou a vida de três! ”Lendas da Paixão” (Legends of the Fall, 1994)

Cheers!

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