Fale um pouco sobre você. Nome, idade, atividade atual, onde mora. Como e por que começou a fazer o que faz hoje.

Sou Adriana Almeida, 50 anos, nascida e criada em Santos (SP), cidade que vivo até hoje. Advogada (primeira formação), empreendedora, palestrante e terapeuta sexual. Em meados de 2011, aos 40 anos, exausta com a advocacia e querendo mudanças drásticas na minha vida, resolvi empreender, como um “plano B”. Algumas possibilidades me passaram à cabeça na época, entre elas, chocolates. Sim, sou chocólatra confessa, mas a franquia que almejava para minha cidade já estava comprometida, então busquei outro segmento que me atraísse. Uma amiga me indicou o filme “De Pernas pro Ar”, onde segundo ela a personagem interpretada por Ingrid Guimarães era eu, foi um “tapa na cara” e me abriu para o mundo da sexualidade humana. Após muita pesquisa de mercado, metódica que sou, fiz questão de acompanhar passo a passo a construção da Mais Prazer. Desde a logomarca, a escolha da cor (o laranja remete ao chacra da sexualidade), o site, que aliás foi o primeiro a existir e após muitos pedidos inaugurei o espaço físico da Mais Prazer em 2014, compartilhado com meu escritório de advocacia. Pasmem, consegui conciliar ambos os espaços com total privacidade, já que tenho o privilégio que ter duas entradas independentes. Hoje sigo entre a advocacia focada na assessoria jurídica preventiva (trabalhista patronal minha especialidade), alguns litígios e a Mais Prazer (minha paixão). Em 2014 resolvi voltar aos estudos, mas focado no meu empreendimento. Conclui em 2017, a Pós-Graduação em Terapia Sexual na Saúde e Educação. Hoje também atuo como terapeuta sexual focada no público feminino e casais. Em 2021 as redes sociais me trouxeram de presente este grupo – Inconformidades, que reacendeu uma antiga paixão, escrever. Sempre que posso contribuo.

Gosta do que faz? Pretende mudar de carreira? Resolveu mudar de carreira por causa da pandemia ou já estava se preparando para esse movimento?

Gosto muito de tudo que faço, mas ainda não me vejo largando a advocacia. A Mais Prazer me trouxe a possibilidade da escolha, mas quando penso em largar, não me sinto ainda confortável em parar, tem alguma coisa no meu DNA que clama por justiça, então sigo fazendo tudo que está ao meu alcance. A pandemia quando chegou me fez recuar alguns projetos ambiciosos e que no final das contas, valeram algumas experiências, mas as mudanças em si já vinham ocorrendo na minha vida, foi como um xeque-mate.

Acredita que somos mais felizes agora, na maturidade?

No meu ponto de vista a maturidade vem com uma carga enorme de experiências, boas ou não, mas entre elas acabamos criando novas perspectivas. Eu costumava ter um olhar mais crítico antes, hoje sou bem mais flexível, o que não significa que concorde com todas as situações, mas procuro tirar sempre o melhor proveito, já que isso reverbera a meu favor.

Chegou onde pretendia, financeiramente – ou mesmo em termos de relacionamentos – onde imaginou? Faz um planejamento financeiro para o futuro? Ou deixa nas “mãos de deus”?

Financeiramente cheguei onde pretendia, mas ainda almejo mudanças, já que tenho metas, entre elas, diminuir o tempo trabalho e aumentar o tempo de prazer. Como sempre fui autônoma, mantenho aplicações financeiras que podem me auxiliar, mas sempre é tempo de rever alguns conceitos, entre eles previdência privada. Em termos de relacionamentos, acredito que tenho um bom histórico, digamos assim… Cumpri com quase todas as tradições – namorar, casar e divorciar. Hoje estou mais para – comer, rezar e amar… Me permitir novas possibilidades a nível de relacionamentos. Confesso que, alguns anos de terapia ajudaram muito neste processo, inclusive a Mais Prazer.

O que mais incomoda nos 50 anos? Envelhecer, sob o aspecto físico, é uma questão? Ou não?

Quando fiz 50 anos estava com a pessoa que mais amo no mundo (meu filho) no lugar que igualmente reflete muito amor na minha vida (litoral norte de SP). Essa passagem me trouxe um conforto indescritível, não me sinto com meio século, ainda tenho muita energia armazenada e quero aproveitar cada segundo dela sem preocupação com o que passou e com o que está por vir, simplesmente viver o aqui e agora. Fisicamente percebo algumas limitações. Já que as dores são inevitáveis, vamos conviver com elas sem medir esforços para amenizar e até isolar. No meu ponto de vista, não se trata de uma questão física, mas uma adaptação.

Como lida com a beleza? Faz algum procedimento estético? Faz alguma dieta especial? Atividade física?

Esteticamente sou privilegiada. Nunca tive tendência de sobrepeso, sempre pratiquei esportes. Hoje tenho uma rotina um pouco mais limitada já que preciso ganhar massa, então treino aeróbico quase nenhum, muito embora em ame. Para não dizer que não faço nenhum, uma vez por semana rola uma aula de Spinning. No mais, musculação e fortalecimento pélvico, sim eu faço. Aliás, todas nós devemos fazer, já que o assoalho pélvico é um grupo muscular que sustenta vários órgãos internos, então borá lá embaixo também! Esteticamente tenho próteses mamárias que coloquei após ficar com meus peitos murchos pós-gestação. Gente é muito frustrante, você fica com peitos lindos, pelo menos no meu caso eu achei e depois de um tempo eles esvaziam igual bexiga, ah não, foi crucial voltar a ter meus peitos, então investi sim e hoje eles estão de volta. Facial, já fiz algumas aplicações de Botox, nada exagerado até porque eu não curto. Capricho na minha skincare diariamente, mas de forma muito simples – lavo o rosto com sabonete líquido de glicerina Johnsons, hidrato bem com Nívea Q10, passo protetor Adcos FPS UVB 50 durante o dia e a noite após a limpeza Cicaplast (LaRoche), dica do cirurgião plástico que deu um jeito no meu nariz após acidente de moto. Não sigo dietas, como de tudo um pouco, mas se puder evitar carne vermelha, me sinto melhor. Em compensação amo beber água, quando acordo é a primeira coisa que faço.

Quando você pensa em saúde aos 50 anos, o que mais te preocupa?

O que mais me preocupa é a saúde e o aumento da frequência em consultas médicas, acho um saco, muita burocracia se cuidar, às vezes me dá preguiça. Depois disso as perdas geradas pela menopausa. Isso sempre me preocupou, até porque presenciei minha mãe neste período, ela entrou na menopausa aos 40 anos e isso me assustou. Quando estava próxima dos meus 40, percebi que a história não se repetiria, já que estou no climatério aos 50 anos. Mas ter conhecimento de toda transformação que ocorre no corpo é confuso, já que não há regras. Concretamente o que mais me intriga é a perda óssea, ficamos frágeis e a recuperação cada vez mais lenta. Ordem natural da carga de vida. No mais sigo com exames de rotina, capricho nas vitaminas diárias e alimentação equilibrada.

Tem uma rotina de “sanidade”? Hábitos quando acorda, quando dorme?

Comecei em 2018 a prática de meditação, não foi fácil, mas hoje consigo fazer meus minutos de silêncio pelo menos uma vez ao dia, de preferência logo após um café da manhã. Antes de dormir gosto de relaxar vendo algum filme leve ou lendo um livro e quando percebo meus olhos quase fechando, faço uma breve oração, não sou praticante de nenhuma religião, muito embora tenha formação na católica, me considero hoje uma pessoa espiritualizada.

Quais são seus luxos? Roupas? Massagem? Terapia? Tem alguma coisa que deixa o seu “dia a dia” mais leve? Alguma “ilha de paz” quando enlouquece dentro de casa?

Ah meus luxos… Nascida e criada perto do mar, não abro mão deste contato e considero isso um luxo. Amo moda, mas sou muito básica, tipo aquela que sai de short jeans, camiseta branca e chinelo de dedo para ir ao shopping. Mas é logico que também capricho quando necessário. Não me considero do tipo “over”, curto um “pretinho básico” e até um elegante jeans com salto. Um luxo que me dou e não vivo sem é massagem. Gente não tem sensação melhor na vida do que ter a coluna recolada no eixo, bem como aquela liberação gostosa das ventosas. Ah, amo! Igualmente uma drenagem, que no meu caso é bem necessária, não parece, mas tenho retenção de líquidos. Psicoterapia, praticamente da adolescência até a maturidade, com alguns pequenos intervalos. Acho que todo ser humano precisa de um espaço neutro para se libertar e a terapia tem esta escuta. Fazer o dia a dia ficar mais leve, poder respirar a brisa do mar que entra na minha varanda de casa, uma delícia, me transmite paz no meu templo (corpo/mente/espírito). Vivo hoje no meu cantinho pertinho do mar, tenho o privilégio de morar só e algumas vezes acompanhada do meu filho Brunno, que tem sua própria suíte, ou seja, temos nossa privacidade, o que me garante a “ilha da paz” ser meu próprio lar.

O que te mantém nos eixos? O que te tira o sono?

O que me mantém no eixo é a bagunça organizada. Não sou exemplo de arrumação, mas consigo me manter organizada. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo e isso às vezes me tira o sono, já que nem sempre consigo finalizar todas as tarefas. Procrastinação não combina com meu propósito de vida. Comecei tenho que concluir. Já acordei várias vezes no meio da noite e parei para escrever algo que veio no sonho que achei importante e volto a dormir, isso normalmente acontece quando assumo compromissos além da conta. Mas no fim tudo se resolve.

Ainda tem algumas fantasias? Se sim, quais? Vale qualquer uma…

Fantasias tenho várias kkkk… Já consegui realizar algumas, entre elas parar no meio da estrada (acostamento lógico) mas com os carros e caminhões passando a mais de 100 km p/h e rolando loucuras dentro do carro. Também já realizei algumas travessuras na areia e no mar, afinal o que levamos da vida? Por em prática as fantasias podem render lembranças memoráveis maravilhosas e até divertidas. Seguimos…

O que te faz feliz hoje? Pode ser no dia a dia…

O que me faz feliz é chegar em casa e ouvir o silêncio. Demorei um pouco para descobrir que o silêncio pode ser sentido e fazer bem. Abrir minha varanda e olhar o mar. Ver o por do sol e acompanhar o crepúsculo. Tomar um bom vinho e ouvir uma música gostosa. Moro sozinha há 04 anos, nunca tive esta experiência, então creio que ainda tenho muitas descobertas neste novo universo da Adriana.

Quem te inspira?

O conhecer, isso me inspira. Conhecer pessoas, lugares, leituras, sabores, costumes, culturas, adoro isso tudo. Nestes últimos dois anos, a internet de alguma forma nos conectou. Criei laços pelo mundo e não sou bilíngue, mas pretendo retomar este estudo de uma forma mais dinâmica, não vou ter paciência de retornar a escola tradicional de inglês, já fiz e sem prática se perde, foi meu caso. Não tenho um ídolo específico, mas tenho referências de algumas mulheres inspiradoras, que na época delas também tinham anseios em “conhecer”, entre elas, minha mãe e minha avó paterna. Sempre foram desafiadoras, à frente do tempo. Conhecer o grupo do Inconformidades foi um dos presentes que a internet me concedeu em 2021 e que igualmente me inspira, nele temos uma troca riquíssima que só agrega.

Como se imagina aos 70 anos?

Parei para pensar. Não consigo me visualizar nitidamente, mas acredito que estarei feliz, dona do meu tempo. Me vejo conversando abertamente sobre a vida e seus aspectos sem rótulos, inclusive sobre sexualidade, que ao contrário de muitas “cabeças limitadas”, tem um significado muito além do ato em si. A maturidade me trouxe essa possibilidade de rever e pretendo seguir assim, independente da algumas inconformidades.

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