Você já se sentiu escrutinada por alguém? Provavelmente sim. E, ok, tudo certo. Todo mundo tem o direito de olhar para outra pessoa e tirar suas conclusões, tentar perceber coisas. Eu mesma sou a rainha da escrutinação. Se vou sozinha em um café, por exemplo, logo me coloco a ouvir a conversa alheia, a prestar atenção e imaginar mil coisas sobre os personagens da história. Tiro minhas conclusões? Óbvio. São as mais corretas do mundo? Certamente não. Mas tá tudo bem ter estas pequenas impressões em encontros fugazes, guardo estas opiniões para mim.

O que não posso aceitar é que pessoas que me conhecem, seja há pouco ou muito tempo, gente que já almoçou comigo, trocou algumas ideias, entrou na minha casa, saia colocando etiquetas em mim. Você é assim. Você é assado. Pior, falsas etiquetas. Se fossem verdadeiras, ok. Ainda assim, faça com todo cuidado. Não me limite. Não me defina. Se tem uma característica que muito aprecio em mim é a capacidade de mudar. 

Mudo de ideia, roupa, casa, cidade (já foram três), marido (também foram três, não necessariamente com os maridos) com a maior facilidade. Mudo sempre que achar preciso, toda vez que considerar que algo já não me cabe mais. Guarde etiquetas para comida, alimentos, roupas, para coisas.

Outro dia conheci um homem em um destes aplicativos de paquera. Estava tudo bem, tínhamos a mesma orientação política (o que é um adianto e tanto em se tratando de Brasil), ele era professor, tinha um papo fácil e gostoso, mas já na segunda semana de relacionamento desandou a tecer suas teorias sobre mim. E foram muitas. Algumas boas, confesso, mas ele pecou feio, né? Tive que interromper nosso almoço e dizer: melhor a gente parar por aqui. Você me conhece há 15 dias, mal sabe da minha vida, das minhas histórias e escolhas. Não cole em mim tantas etiquetas, não me julgue.

Claramente ele transferia para nossa relação traumas que teve em relacionamentos anteriores. A gente faz isso, entendo, mas também precisamos ter o discernimento de guardar estas impressões para nós mesmos, avaliarmos com calma, levarmos para a terapia ou para um papo com uma amiga. Não temos o direito de transferir nossos medos e traumas para outras pessoas, nem mesmo de colocá-las em prateleiras e etiquetá-las. Não somos coisas, como já disse!! Não faça isso com pessoas. Somos mutáveis e amadurecemos.

Posso dizer que já fui infiel, fiel, gentil, grossa, simpática, generosa, egoísta. Fui e sou de tudo um pouco, de acordo com a pessoa/situação. Eu posso colocar etiquetas em mim, pensar sobre elas, decidir com quais quero seguir pelo resto da minha vida, quais devo rasgar. Você, não. 

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