Queria falar de tantos assuntos por aqui, mas essa semana tive um “click”
e decidi falar dos famigerados sintomas da menopausa. Vou explicar por que eu decidi escrever sobre esse assunto.

Em primeiro lugar, porque eles nos atormentam, antes e depois da menopausa, nem sempre conseguimos reconhecê-los rapidamente. Leva tempo e pode nos incomodar muito até decidirmos buscar ajuda.

Eu entrei no climatério, fase que precede a menopausa, aos 45 anos. Primeiro, a irregularidade menstrual. Seguiu-se dor de cabeça, geralmente pela manhã, dor e rigidez das articulações das mãos, pés e joelhos, dor muscular, palpitação do coração, ganho de peso com acúmulo de gordura na barriga. Secura vaginal, da pele, cabelo e dos olhos. A perda acelerada de colágeno e, com isso, flacidez.

Além disso, o sono muito leve e interrompido por barulhos que antes não me acordariam por nada. Veio a tristeza, as oscilações de humor e a depressão. Foram 2 anos para eu assumir que todos esses sintomas eram o sinal de que a menopausa estava logo ali, pois sim, além de serem sensações inespecíficas, eu ainda passei por uma curta fase de negação. Veja como pode ser difícil até para uma ginecologista…

Só para você entender a dimensão, são mais de 100 sintomas catalogados e relacionados à menopausa até hoje. Esses são alguns deles:

  • Ondas de calor, que duram alguns segundos a alguns minutos, na região do nosso colo e cabeça. Podem ocorrer poucas vezes, mas eu conheci mulheres que sentiam pelo menos 20 vezes ao dia.
  • Desconforto cardíaco como sentir o coração bater sem esforço físico e coração acelerado.
  • Dificuldade para dormir com sono superficial, despertar fácil e dificuldade para retornar ao sono depois disso.
  • Oscilação de humor, irritabilidade e depressão.
  • Ansiedade.
  • Cansaço físico e mental com diminuição da performance nas atividades do dia a dia, memória diminuída, diminuição da concentração e esquecimento.
  • Problemas sexuais como diminuição do desejo e, por consequência, da atividade sexual e da satisfação sexual.
  • Problemas de bexiga como dor para urinar, urinar com frequência e dificuldade de segurar o xixi.
  • Secura vaginal com a sensação de secura e queimação, além de dificuldade na relação sexual.
  • Dor e rigidez das articulações.
  • Pele, cabelo e olhos secos.
  • Ganho de peso com acúmulo de gordura na barriga.
  • Aumento de pêlos faciais.
  • Dor de cabeça.
  • Dor nas mamas.
  • Cãibras.
  • Formigamento dos braços.
  • Tontura.

Parece uma pequena lista de métodos de tortura, não? Dependendo da forma que estamos levando a vida, pode ser mesmo.

Em segundo lugar, porque além de todos esses sintomas e da dificuldade de reconhecê-los, o envelhecer na nossa sociedade é condenável, ruim, nos envergonha, nos leva para um lugar de pouca fala e invisibilidade. E assim fica difícil sermos ouvidas e acolhidas.

Quando eu senti isso na pele, durante o meu climatério, foi como se caísse uma pedra na minha cabeça. Fiquei desnorteada, tentei tratar por um lado, depois do outro e, mesmo assim, até hoje não voltei ao meu “eu” dos primeiros 45 anos de vida e muito provavelmente não voltarei.

Junto disso vieram os pensamentos: “Não sou mais atraente, meu marido vai deixar de me desejar, estou envelhecendo, acabou a fase dos sonhos e de fazer planos. Estou velha.”

Dá para ficar pior? Dá sim, mas essa é uma decisão individual, de cada uma de nós e vai depender de como a gente encara tudo isso e decide o caminho que vamos tomar.

É ai que vem o terceiro ponto, o objetivo maior deste texto: para tudo na vida existe uma saída, assim também é com os sintomas da menopausa. Quando entendi melhor o meu processo, aos 47 anos, decidi que iria me cuidar.

Além da reposição de hormônios, medicação para o humor com acompanhamento da minha psiquiatra, aumentei a atividade física para 4 vezes por semana, mudei a dieta com orientação da nutricionista, reduzi a ingesta de bebidas alcoólicas e o mais importante de tudo, decidi ser mais generosa comigo mesma. Isso tudo vem me ajudando a recuperar a qualidade de vida.

Recuperei a vitalidade dos 30? Claro que não, estou caminhando para os 50 anos… Estou envelhecendo. Entretanto, resolvi que o meu envelhecer vai ser cercado de cuidados e respeito com os meus limites.

Com isso, a mensagem que eu quero trazer hoje para você é: não desista de si, dos seus sonhos, da sua vida. A menopausa é inevitável, o processo de aceitação e alívio dos sintomas leva tempo, mas escolher se cuidar está em nossas mãos.

E como eu sempre falo, a pergunta que devemos nos fazer nessa encruzilhada da vida é mais profunda do que simplesmente tratar ou não tratar os sintomas da menopausa, e deve ser: “De que forma eu quero viver os próximos 30, 40 ou 50 anos?”

Sim, porque viveremos quase ou até a metade de nossas vidas na pós-menopausa.

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3 comentários
  1. Amei, agradeço pela assunto que e tão difícil e pouco compartilham, entrei na menopausa aos 42 anos e sinto tanta dos estes sintomas e cada mês e uma surpresa diferente. E como falou primeiro vem aceitação de entender que e um processo e se cuidar. Parabenizo pela iniciativa e coragem .👏👏👏🥰

  2. Eu ameiiiii…..muito obrigada por compartilhar!! E mto bom saber q não estou sozinha…..e sigo em frente procurando melhorar meu entendimento qto a fase menopausica. Bjooo

    1. Que bom que vc gostou!!! Quando penso nos assuntos que quero falar por aqui, penso nas pedras que encontrei pelo caminho. Não é fácil, mas com informação e apoio, viveremos bem melhor.

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