Tenho um presentinho de Natal para você, mas, na verdade, não sei se vai querer realmente abrir o pacote. Eu só sei que fiquei com os dois pés atrás quando meu marido disse: “Surpresa! Vamos viajar para o Sul da França, põe na mala todas as suas fantasias, que amanhã partimos para Cap d’Agde!”

Pois é: meu presente para você é uma sugestão de viagem – mas por agora só na sua imaginação. Vou desvendar para você alguns dos segredos de um lugar mágico, onde tolerância se escreve com T maiúsculo e onde todos os desejos da carne podem – mas não obrigatoriamente devem – ser realizados.

Cap d’Agde

Chegamos à tarde na cidade, depois de muitas horas de viagem com nossa van, vindos do Norte da Alemanha, onde moramos. Logo na entrada da “Village”, como o lugar é chamado carinhosamente pelos frequentadores, fiquei mais tensa do que já estava: tivemos que comprovar nossa reserva, mostrar nossas identidades, algo raro aqui pela Europa. Só após tudo ter sido controlado cuidadosamente, abriu-se o portão do paraíso.

Estamos em Cap d’Agde, provavelmente a maior, mais reveladora e, de certa forma, a cidade nudista mais emocionante do mundo: o Village Naturiste, construído na década de 1970, à beira do mar, com a finalidade de estabelecer uma ligação estreita dos visitantes com a natureza, para que estes experimentem a libertadora sensação do corpo livre, desnudo de tecidos.

Havíamos alugado um chalé à beira da praia e meu marido não esperou sequer termos tirado a bagagem do carro. Adentrou o chalé e voltou para pegar as malas: nu. Nuzinho. Eu: “Eu, não!”

São nada menos que 120 hectares, que inclui hotéis, apartamentos, um imenso acampamento e as praias, limpíssimas. A vila é totalmente equipada com lojas, supermercados, farmácias, restaurantes, boates, delivery e assim por diante. Você pode usar roupas em qualquer lugar, mas, na verdade, não precisa delas. Se você quiser, pode ir nua, por exemplo, ao cabelereiro. Ou ao supermercado, à padaria. Já imaginou a cena: todo mundo nu na fila do pão com o baguette embaixo do braço? Eu vivenciei.

As lindas praias são o principal argumento entre os naturistas, porque estarmos ao sol completamente livres de têxteis significa puro relaxamento. Mas você pode também caminhar pelas dunas, fazer jet-ski, windsurf, ou mesmo passear de bicicleta alugada. Nua, é claro, mas só se você quiser.

Eu poderia listar aqui muitas outras atrações não só da vila, mas de toda a redondeza, veja bem, estamos falando sobre o Sul da França, castelos, vinícolas! Mas… Prefiro citar outro grupo que também já descobriu o balneário há algum tempo: swingers e hedonistas do mundo todo – também do Brasil – encontram ali muitas oportunidades para dar vazão aos seus mais íntimos desejos! O que é sempre possível, desde que as regras do lugar sejam respeitadas:

Cap d’Agde
  • Respeito e tolerância – embora a cena dos swingers esteja se reunindo em Cap d’Agde já há algum tempo, o lugar é e continuará sendo um resort de nudismo, não um clube de swing superdimensionado. Portanto, cuidado, pois há uma grande probabilidade de que a pessoa que está completamente nua à sua frente na fila do caixa seja um naturista e não alguém em busca de aventuras sexuais. A vila é visitada também por famílias com crianças. Nem é preciso dizer que atos frívolos não têm lugar à vista deste público.
  • Um “não” significa “não” – e você não precisa explicar sua negação, pois cada um decide até onde quer ir. O respeito às limitações alheias é onipresente. Simples assim.

Se você seguir essas regras, poderá viver experiências realmente fascinantes, das quais se lembrará para sempre! E, para isto, você nem precisa ser um swinger. Basta só se deliciar (ou se horrorizar) com a atuação e o visual do público à sua volta! Todos os dias há festas em clubes, piscinas e apartamentos, onde os tecidos caem e muitas mãos entram em ação. Você pode simplesmente se jogar no tumulto do público e logo descobrirá que provavelmente a maioria das pessoas presentes não levaram suas inibições nas malas e deixaram todos seus preconceitos em casa.

Pois é. Lá estava eu diante do meu marido nu, que carregava as malas para dentro do chalé. E aí aconteceu: de alguma forma, por algum motivo, senti-me tão livre de vergonhas! Tirei meu vestido, entrei na calcinha do meu micro biquini, joguei um lenço dourado comprido num dos ombros, cobrindo o seio deformado pelo câncer e deixando o outro, perfeito, de silicone, à vista. Sentindo-me linda e liberta como um passarinho, fomos tomar nosso primeiro café na pracinha… onde logo fizemos amizade com um insider, que nos esclareceu alguns pontos.

Cap d’Agde

Por exemplo, que existe a tal Praia do Porquinho, uma praia só para adultos, para onde fomos depois de termos tomado nosso café, tamanha era nossa curiosidade. Sim, sexo explícito na areia, no mar, cercado por plateias altamente ativas e muitas vezes seguido de salvas de palmas. Too much for me, mas devo confessar: muito interessante observar até onde algumas pessoas exploram o sexo.

Quando o sol se põe, a vila se transforma numa grande festa hedônica. Vê-se mulheres vestidas de Branca de Neve, de diabinhas ou enfermeiras, todas usando o mínimo de tecido possível e muito, muito brilho! E muito salto! 15 cm, 18 cm, plataformas, botas, saltos agulha e muito brilho. Homens usando mínimas roupas de couro, saias medievais, botas, correntes, espadas e escudos. Couro, muito couro, muito látex, nas mais diversas cores e modelitos.

Aproveite a oportunidade de sentar-se em uma mesa já parcialmente ocupada e puxar conversa. Você vai ver que aquelas pessoas com as mais esdrúxulas fantasias são “normais”, assim como você e eu. Talvez com uma diferença: elas não só as têm, como também vivem suas fantasias. E Cap d’Agde é o lugar ideal para tal, pois lá, tudo é possível, mas nada obrigatório.

Como os dois senhores italianos beirando os 80, gentlemen, pela primeira vez em Cap d’Agde, como nós. Um deles estava horrorizado com o que via à sua volta. O outro, fascinado com tudo e com planos de voltar, mas da próxima vez, trazendo sua esposa de 76 anos. Pode?

Mas… Os olhares de todos se voltaram para aquele homem musculoso, de traços másculos, belo mesmo, que andava à volta de quatro, com um plug de crinas enfiado nos ânus, usando uma máscara de cachorro e sendo guiado numa coleira por uma mulher lindíssima. Pareciam ter uns 40 anos. Busquei papo com ela – a ele não era permitido falar – que me contou estarem casados há 18 anos, proprietários de uma empresa bem-sucedida na Bélgica, filhos adolescentes. Não, ninguém sabe de suas escapadas… Sim, felizes, muito felizes.

Amei ter estado em Cap d’Agde. Virei fã. Nem precisei ficar completamente nua em nenhuma situação – nem mesmo na praia. Vivenciei uma cidade inteira de pura tolerância e respeito ao próximo, sem restrições. Pude observar de camarote aquela loucura e aprendi a aceitar tudo o que vi sem julgar. Algo mudou em mim, fiquei maior, melhor, mais certa do que quero e do que não quero e muito, muito mais compreensiva e menos julgadora.

E você, ficou curiosa? Gostou do presente? Se quiser abrir o pacote de verdade, faça uma visita à cidade mais livre e tolerante do mundo! Nem que seja para você mesma se conhecer ainda melhor – juro que vai acontecer – e talvez acabar definitivamente com alguns de seus eventuais preconceitos. Só vale!

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8 comentários
  1. Mulheres Forte são Fascinantes, minha Mãe ensinou me a admirar as Mulheres capazes de andarem
    Sozinhas pela vida qdo da ausência por qualquer motivo de uma Parceria Emocional produtiva!
    Parabéns pela bela jornada de Vida e Descobertas!
    Mulheres Fortes são o Supra Sumo da Vida!!!!

  2. Fascinante, que experiência enriquecedora.
    Espero ter a oportunidade de vivenciar isso tbm. Obrigada por compartilhar essa vivência.
    Abraços

  3. Que show tua experiencia ! Gosto dos teus relatos, viajo contigo. Quem sabe , agora que estou livre novamente, talavez aproveite , um dia , a dica.

    Beijos queridona

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