Sim, já tive muitos dates nos últimos três anos. Como bem sabem, sou uma romântica incurável, aquela que ainda acredita no amor e que, sim, ele pode estar em um app de relacionamento. E foi assim, acreditando, que conheci Fábio (nome ficitício) no Tinder, um homem de 44 anos, inteligente, separado, sem qualquer problema financeiro ou uma ex chata em seu pé. Um homem realmente livre.

Como em todos os outros dates, a relação começou tendo o sexo como pano de fundo. Os encontros eram bons e intensos. Não só pelo ato em si, mas porque eram acompanhados de papos intermináveis e de uma troca de carinho e afeto. Todos os dias as mensagens e conversas me alimentavam. Logo parei de dar trela para outros homens do app e centrei meu foco no Fábio. Fomos ao cinema, a restaurantes e bares. Uma relação bacana tomava corpo.

Ganhamos alguma confiança e ele me contou episódios não muito festivos de sua vida. Até mesmo preso ele já foi. E mais de uma vez. Em um dos casos, ficou mais de um ano detido em outro país por porte de drogas. A luz amarela acendeu forte, mas eu já estava tão envolvida que decidi embarcar na relação. Afinal, ele já havia cumprido sua pena, não seria eu mais uma pessoa a condená-lo.

O que não percebi é que ele ainda era usuário. Pior, além da cocaína, era alcoólatra. Quando o conheci, ele estava limpo, tinha acabado de sair de uma clínica de reabilitação, mas ele começou a ter recaídas. Acredito que as pessoas devem ter direito a recomeçar suas vidas, a zerar o passado, a seguir em frente. Entendo que o alcoolismo é uma doença e que é muito difícil ficar limpo. Mas também acredito que nem todo mundo tem capacidade emocional para levar uma relação assim para frente. É preciso ser forte. E muito!

Eu tentei. E por diversas vezes. E foi assim que saí do Tinder para uma reunião em um grupo de Narcóticos Anônimos. A primeira regra que aprendi é que não podemos revelar o que ouvimos nestes encontros. Ali, a segurança e confiança precisam ser inabaláveis. E, obviamente, não vou compartilhar aqui nada do que ouvi. Mas posso dizer que ficou mais claro para mim o quanto aquela batalha seria longa e que ela dependia 100% dele, não de mim.

É triste quando a gente quer, mas sabe que não pode ajudar muito a outra pessoa. Ofereci meu ombro, meus ouvidos. Acolhi. Levantei ele do chão, literalmente, as vezes que, bêbado, ele perdeu o equilíbrio. Mas não consegui levar o relacionamento para frente. Sofri muito no dia que vi ele bebendo álcool 70 na área de serviço do apartamento. Ali, tive ainda mais certeza que ele precisa de ajuda médica, de especialistas e que pouco poderia fazer.

Ele segue sendo um amigo, um grande amigo. Até porque jamais iria virar as costas para alguém doente, mas não consigo viver uma relação efetiva assim. E cabe aqui a reflexão: qual é o seu limite? Até onde você aguentaria? Temos que ter em mente o que queremos e o quanto estamos dispostas a enfrentar para conseguir. Certamente, se eu amasse o Fábio, tentaria por mais tempo. Só que achei prudente sair antes. São problemas que não consigo gerenciar com a rotina que tenho e que não combinam com o que desenho para o meu futuro. E você, sabe o que quer?

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1 comentário
  1. Uau! Que história!
    Conheço pessoas próximas que tiveram uma experiência relativamente parecida no que diz respeito ao uso excessivo de álcool e, em todos os casos, não deu muito certo. guerra longa de muitas batalhas ganhas e perdidas! Acho que cada um acaba conhecendo seu limite e não tem muita relação com o tempo, uma hora chega e pronto! No seu relato, há uma parte positiva: de vocês continuarem amigos apesar de tudo.

    Gosto muito dos seus relatos. acompanho todos…
    abraço,
    Glaucia

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