Que choque ouvir uma mulher falar isso em alto e bom som. Verdade seja dita: nasci e fui criada em uma sociedade machista, como eu não seria machista?

Mês passado li o incrível livro “Pequeno Manual Antirracista”, da Djamila Ribeiro (recomendo muito a leitura), e encontrei uma parte que me chamou muito a atenção: foi feita uma pesquisa na qual 90% das pessoas responderam que o Brasil é um país racista, e apenas 10% se assumiu racista. Essa conta não fecha. A autora alerta que o primeiro passo para desconstruir o racismo é se assumir fruto de uma sociedade racista, pois só assim será possível desconstruir as ações preconceituosas. Soou um alerta vermelho na minha cabeça. Isso também se aplica ao machismo.

Neste Dia Internacional da Mulher, em menos de 2 horas rolando o Instagram, já vi tantos equívocos que resolvi não entrar mais no app. Todos os posts de mulheres que se dizem feministas. Teve post falando da importância da mulher que gera vida e dá beijos que curam machucados, post desejando um metabolismo rápido, e post de mulher que quer ganhar flores e chocolates no trabalho. Comecei a problematizar tanto que resolvi não rodar mais as redes sociais no dia de hoje.

Em algum momento o patriarcado se apoderou da data e resumiu o dia num grande emaranhado rosa com flores, bombons e manicures, e apagou todo o conceito de luta original da data. A sociedade machista que vivemos faz isso com frequência e usando ferramentas diversas (já leu o incrível artigo da Glaucia Sarges aqui no Inconformidades sobre um passeio feminista pelas ruas de Lisboa?).

Depois que esse dia acabou, só posso desejar que todas as mulheres se enxerguem como machistas e sigam desconstruindo todos os muros de preconceitos que essa sociedade construiu nas nossas personalidades. Vamos juntas e vamos nos escutando e trocando.

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2 comentários
  1. Estou aqui rabiscando o meu próximo texto sobre um filme, mas o enredo todo me fez lembrar exatamente disso: das amarras da sociedade patriarcal. É como se nós, mulheres, estivéssemos numa gaiola, algumas tentam salvar as outras para escapar, mas não tem jeito… Acho que é preciso mesmo constatar que algumas não querem sair.
    Obrigada pela menção ao texto. Fico honrada!
    te admiro muito, ana!
    Beijo!

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