Um #tbt de feliz dia das mães, por Anna Luca Azevedo

E não estou falando sobre o lado físico que estamos cansadas de saber como as noites mal dormidas que nos levam a exaustão, as duplas (ou triplas) jornadas que se repetem e emendam uma à outra ou a luta que é voltar o corpo de antes da gravidez e de todas as outras coisas que não nos contam e descobrimos nos primeiros anos da maternidade.

Estou falando principalmente do papel solitário e intenso que assumimos no instante que abandonamos a unidade para mergulhar nessa aventura onde o destino é um lugar novo e desconhecido, enquanto o mundo só fala dos filhos.

Existem literaturas infindáveis e até aplicativos sobre gravidez, desenvolvimento do feto, os tipos de parto, amamentação, educação e alimentação. Fato é que a maternidade é o maior aprendizado sobre frustração. Desde o momento 01 quando a mulher decide ou não ter um bebê e ele não vem na hora planejada. Depois tem a questão do parto que nem sempre é como ela sonhou. E quando o leite não vem? A essa altura a mulher já entendeu que na maternidade nada sai como planejado e o jeito é desapegar das crenças e preconceitos e lutar do jeito que dá.

E faz o que com tudo aquilo que a gente ouviu, construiu, idealizou?

Não sei, querida, agora você está em pleno puerpério e o mundo está preocupado (e muitas vezes opinando) como seu bebê está dormindo, qual a melhor hora para o banho, se o umbigo caiu e está pra dentro e como ele está se alimentando com suplemento e fadado a não criar anticorpos e passar a infância a base de antibiótico.

Mas quem olha para as mães nesse momento? Quem pega na nossa mão? Nos diz para descansar que está tudo certo? Onde encontramos nossa rede de apoio? Sem tempo para perder, seguimos, leoas, fortes, resistentes e incansáveis.

Até o momento em que a mulher se recompõe pela primeira vez após a maternidade, ela reconhece que já não tem mais os mesmos ideais, se resgata e percebe que se transformou. E irá se transformar algumas vezes ao longo da própria vida e da maternidade para se adaptar a novas fases da sua vida e dos filhos que já não usam fraldas, mas decidem estudar fora do país. Como em um jogo de estratégias onde o objetivo é manter a integridade da unidade que foi abandonada lá atrás, ela escolhe novos papéis e novos destinos que nunca darão no mesmo lugar.

Não existe uma mãe ruim. Existe a melhor mãe que ela pode e consegue ser naquele momento. E isso é maravilhoso, poder se transformar, crescer, mudar e se reinventar como mãe e mulher.

E o mundo que lute, somos resistência.

Feliz Dia das Mães a todas as mães e especialmente a minha, que se transformou e resistiu, sem nunca perder a classe e principalmente o otimismo.

Leia também: A mãe armênia

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