Desejos de mulher: Mães também gozam.

Essa frase já impactou muitas mulheres, inclusive eu que venho de uma geração onde a “mãe” tinha a missão de cuidar e educar os filhos, além de ser “dona de casa”. 

Quem aí se lembra desta “profissão”, quando perguntavam em algum questionário para nossas mães – Qual sua profissão?

Reposta: – Do lar.  

Que ironia, a maternidade chega através do sexo e muitas vezes ele é o primeiro a ser deixado de lado na extensa lista de afazeres maternos. O primeiro ano vem cheio de dúvidas e incertezas, afinal ninguém nasce mãe. 

Mas aqui, quando digo que mães também gozam, não me refiro só ao ato sexual, e sim, a gozar a vida em todos os sentidos. 

Dormir sem hora para acordar, tomar um banho demorado, caminhar na praia sem preocupações, curtir uma massagem, tudo isso e muito mais faz uma mulher que também é mãe, gozar a vida.

A maternidade traz encargos que muitas vezes não delegamos, seja por omissão, seja por escolha, mas o fato é que, a sobrecarga no início é gigante. Passei por isso. 

Planejei cada detalhe da minha gestação, que por sinal, foi maravilhosa. Não enjoei, pratiquei atividades físicas até onde minha médica deixou. Consegui o tão sonhado parto natural, porém, minha recuperação pós parto, não foi tão prazerosa assim.  

Sonhava poder amamentar, mas uma anemia profunda logo após o parto, me fez encurtar este período, já que o “serzinho”, como carinhosamente chamava meu filho, era faminto, então com menos de 03 meses sucumbi à mamadeira com o famoso NAN. Estava esgotada, sem dormir direito há mais de 90 dias e ainda por cima frustrada por não conseguir amamentar. Resumindo, acabei em depressão. 

Demorou alguns meses para eu voltar a me olhar como mulher. Fiquei chocada com o diagnóstico na época, já que sempre fui super ativa. Simplesmente me perdi de mim. Fico imaginando quantas mulheres já passaram por isso e nem tem conhecimento. 

Ser mãe “full time”, como sonhava, me fez deixar de gozar a vida em vários sentidos. Sexo? Nem pensava nisso, meu maior prazer na época era ter algumas horas de sono. O cansaço é um dos piores inimigos da libido. 

Recuperada após um longo período de terapia, aos poucos fui delegando os encargos da maternidade e confesso, foi libertador. 

Hoje, uso meu exemplo para ajudar mulheres a voltarem a gozar a vida e aflorarem seus desejos de mulher. Algumas dicas que dou sempre, valorize pequenos momentos de prazer, seja uma caminhada, fazer a unha no salão, algumas horas a mais na cama, procure uma atividade física que se encaixe na sua rotina, dialogue com sua parceria, delegue as tarefas da maternidade, como por exemplo: fazer o bebe arrotar, dar banho, passear, etc. Existem várias formas da sua parceria contribuir nestes primeiros meses de tantas transformações. 

 A maternidade transforma a mulher em mãe, mas não podemos esquecer que antes de assumir este cargo, somos mulheres com anseios e prazeres. Sim queremos ter prazer, queremos gozar, não só na cama, nem sempre com penetração. 

Dialogar a relação também é fundamental, não se trata de discutir nada, como muitos pensam, mas de naturalizar seu prazer e sua forma de se expressar diante do momento presente. Não há receita pronta. Verbalizar como você se sente já é um grande passo para não deixar o barco afundar, deixar claros seus desejos de mulher. 

Está sem lubrificação natural ou com pouca para ter conforto na hora h, use sempre um lubrificante. Não está confortável para ter penetração, introduza na relação um “Toy”, como gosto de chamar os massageadores íntimos corporais.  Existem modelos que possibilitam descobrir o prazer em outras áreas do corpo sem penetração, como os bullets (cápsulas vibratórias) e os estimuladores clitorianos, que também podem ser usados em várias partes do corpo além do “botão mágico” . Experimente delegar essa tarefa para sua parceria com o uso de um bom óleo corporal, pode ser bem excitante, acredite. 

Melhor do que gozar é ter prazer na jornada!

Beijo povo!

Drika Almeida

Leia também: Dicas de presentes para o dia das mães

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