Faz tempo que não apareço por aqui! Meu tempo interno anda se impondo e eu resolvi respeitá-lo. E por falar em tempo, quero contar para vocês uma história. O mito de Chronos e de Kairós.

Chronos era um Deus muito poderoso, o Deus do Tempo, sempre implacável. Casou-se com Réia, com quem teve 6 filhos, entre eles Zeus e Kairós. Chronos, ao saber de uma profecia que faria com que um dos seus filhos o destronasse, os engolia cada vez que um nascia. Só não engoliu Zeus, que lá pelas tantas conseguiu enganar o pai e o fez cuspir todos os seus irmãos, entre eles, Kairós.

Kairós, um Deus muito bonito, tinha uma peculiaridade. Só tinha uma mecha de cabelo na parte da frente da cabeça. Isso porque só poderia ser agarrado de frente; depois que passasse, não poderia mais ser pego. Chronos, o Deus do tempo contado, cronológico. Kairós, o Deus do tempo vivido, da oportunidade.

Chronos, o senhor do tempo, cronológico, lógico, metódico, apressado, compassado, que nos arrasta, que quando nos damos conta já foi, nos deixando aquela sensação de “o que eu fiz mesmo?”. Kairós, o tempo da oportunidade, aproveitado, curtido, vivido, experenciado, o tempo que preenche, que não apressa, que deixa lembranças, constrói repertório, que nos faz contar histórias.

Chronos é quem nos faz ter medo de ficar de fora, da necessidade de participar de todos os grupos, de ler e responder as mensagens assim que chegam, não desligar. O tempo da ansiedade. Kairós é o tempo do nosso processamento interno, do que realmente faz sentido.

Enquanto Chronos insiste em nos fazer produtivos, em querer que ele, o tempo, tenha o dobro de horas para sadicamente nos fazer cumprir uma lista imensa de tarefas muitas vezes sem sentido. Kairós é o tempo da contemplação, da respiração profunda, da escuta verdadeira, do prazer, do sentimento, do afeto.

Mas Chronos não é de todo mal. Nos dá compasso, nos faz organizar a rotina, cria hábitos diários, nos faz cumprir compromissos, nos dá ritmo, enquanto Kairós escreve a nossa própria música.

Essa história me fez refletir o quanto cada um de nós manda no nosso tempo ou o quanto o tempo é que manda em nós. Cada um aqui tem seu próprio tempo de processamento interno, genuíno, único, profundo, importante, que precisa ser respeitado e que dá o real ritmo da vida. O mundo rápido, da informação em excesso, sem ou com muito filtro e sem esforço, nos atrapalha e gera uma sociedade cada dia mais imediatista, inconsequente.

Por isso a importância de parar e respeitar o tempo da pausa.

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