Foi-se o tempo em que, ao pensar em uma mulher com mais de 50 anos, o que imaginávamos era uma vovó cuidando da casa e dos netos. Hoje, as cinquentonas são potentes, criativas, dinâmicas. E representam muito daquilo que foram desenvolvendo e conectando ao longo de suas vidas profissionais e pessoais com mais equilíbrio e sabedoria somada a uma energia nova de poder deixar alguns medos e inseguranças para trás. Elas inspiram. E suas carreiras idem. Muitas dessas, inclusive, começaram a se destacar muito mais perto dos 50, percebendo a plenitude e segurança que a maturidade trouxe para elas.

Este mês resolvi trazer toda essa atitude aqui para a coluna, com um exemplo típico dessas mulheres, que são pura inspiração, para um bate-papo. Ouvir (ou ler) e lembrar do quanto podemos é sempre bom demais. E pode nos motivar a dar aquela agitada em nossa própria carreira. Por aqui a coluna do mês é uma conversa com a Gilvana Viana.

GIl Viana

Gil tem 53 anos e é super potente e ativa. Ela está sempre com um penteado, cor ou corte novos no cabelo (a maior representação da inquietude dela) e tem uma luz própria que contagia a todos ao redor. Cheia de vitalidade e de uma energia que transbordam, ela fala com os olhos e com o corpo, especialmente quando a pauta é a carreira, ou a família. Sim, apesar de trabalhar enlouquecidamente, ela consegue manter um saudável equilíbrio entre ambos.

Gil Viana nasceu em Jequié, na Bahia, e já morou em São Paulo, Paris e Lisboa, onde está atualmente. Ela se especializou em marketing, e já atuou em áreas comerciais de produtoras de imagem até chegar na produção musical, onde empreendeu e tem duas produtoras. É CEO da Punks S/A (provedora e licenciadora de conteúdo musical e reconhecida como a maior vitrine de música independente do mundo) e da MugShot (produtora e estúdio criativo de música que eleva a autenticidades das trilhas sonoras para artistas e marcas), além de ter assumido um papel de liderança que busca mais representatividade e protagonismo para pessoas pretas.

Nem sempre foi assim. Aos 11 anos a Gil Viana trabalhava como manicure e morava longe da mãe, que havia partido em busca de oportunidades melhores para a família. Resolveu sair de Jequié, levando a irmã mais nova, para encontrar a mãe em São Paulo. Foi. E só avisou estavam na cidade quando já haviam chegado. Após chegar, seguiu trabalhando como manicure, mas não parou aí. Cursou Economia e cedo começou a trabalhar em uma produtora de imagem. Foi ali que se encontrou, se inspirou, entendeu o mercado e deu inicio à sua bem-sucedida carreira. Aos 43 anos, Gil empreendeu e fundou a primeira empresa. Aos 53, sua produtora é a responsável pelo podcast do Mano Brown, Mano a Mano, liderança absoluta entre os melhores conteúdos do Spotify.

Você é hoje um dos nomes mais destacados da produção musical brasileira. Uma mulher muito poderosa e conhecida no seu meio, e que se construiu sozinha. Você empreendeu depois dos 40 anos e ajudou a colocar no ar o podcast do Mano Brown, que por quase um ano foi o mais ouvido no Spotify. E isso depois dos 50 anos. Como foi esse processo de se desafiar em uma idade em que tantas mulheres já começam a ter as portas de trabalho a cada dia mais fechadas?
Aiiin não sei se sei responder, mas claro vou tentar. Sim, criei a Mugshot aos 43 anos foi quando eu me senti preparada para empreender, segura de meu talento e das minhas limitações. As primeiras temporadas de MAM foi um sucesso e já vamos voltar pra classificação dos melhores conteúdos produzidos nos últimos tempos. Estamos produzindo a terceira temporada e está sendo uma delicia me desafiar e produzir conteúdos relevantes, aproveitando este meu momento de mulher de 50+ usando todo meu expertise, absorvido durante todos estes anos de construção desta profissional que chegou aos 50 plena, cheia de energia e desejo de contribuir ainda mais.

Ainda usando a questão de idade e mercado de trabalho. Alguma vez você sentiu alguém diferenciar, em algum trabalho, concorrência, ou oportunidade, você por já ter passado dos 40, 45, 50?
Graças a deus NÃO! Acho burro, desconectado do mundo quando as empresas ou instituições classificam um profissional pela idade. Quando se tem 18 anos não consegue emprego porque nunca trabalhou e não tem experiência, como é o caso do meu filho (Jõao). Como as pessoas podem ter experiência se não damos a oportunidade de ensiná-los, como uma mulher de 45, 50 anos vai ser julgada pela sua idade? Ela passou todos estes anos trabalhando, estudando se preparando e quando chega aos 50 está velha para que? Por quê? Se estamos plenas de conhecimentos, energia, disposição, como diferenciar pela idade?

Na Mugshot, sua produtora, vocês desenvolvem trilhas sonoras de diversos comerciais, filmes e também são responsáveis por vários artistas. Você acha que isso ajuda a manter esse seu estilo à frente e atualizado sobre tudo, ou tem mais a ver com a sua personalidade?
Acho que as duas opções me definem. Tenho personalidade forte, sou segura e determinada. E o desafio de estar a frente da Mugshot, criando conteúdo, prospectando novos desafios sempre, no meu dia a dia, e ao mesmo tempo me conectar com os artistas e suas musicas – nesta plataforma com mais de 500 mil musicas que é a Punks.SA – o contato com todos os colaboradores que me atualizam demais com as mais diversas pautas e assuntos… Concluo que é a fusão de todos estes fatores.

Seu esporte é a corrida. E você corre com chuva, sol, frio, calor. Como isso começou e o que representa na sua vida?
Sempre gostei de esportes, judô, jiu-jitsu, muai thai, natação, tênis, cross fit e o atletismo que veio desde sempre. Quando criança, na escola, fazia arremesso de peso. Aqui em São Paulo sempre que tinha tempo ia aos parques correr, me desestressa, me conecta comigo. Ali resolvo problemas, medito, rezo, entro em contato com meu divido, não consigo ficar sem correr.

Algo que você conta, e que adoro ouvir, é que sua mãe era semianalfabeta e começou a estudar aos 70 anos. Você acredita que a idade possa ser uma barreira para realizar o que se deseja? Me conte o motivo.
Minha mãe dona Lindaura Viana, é meu grande exemplo minha fonte de inspiração. Minha mãe não sabia ler nem escrever, e sempre nos incentivou a estudar e trabalhar. Depois que todas as filhas se formaram na universidade ela resolveu que queria estudar, queria aprender a ler! NOSSA foi uma explosão de orgulho pra mim e pras minhas irmãs. A idade não é fator limitante pra nada na vida. Não se pode criar ou deixar que ciem barreiras em sua vida pelo fator idade ou por qualquer outro motivo, você pode se reinventar todos os dias, basta acreditar no seu poder interior e em seu proposito. Quando se tem 50, 60, 70 somos uma bomba de informação, criação, determinação, estamos prontas para desbravar o mundo porque além do conhecimento temos a experiência, segurança e a tranquilidade de sermos plenas

Ser mulher, ser preta, ser nordestina… Quantas vezes você pensou em desistir? E o que te impulsionava a continuar quando isso acontecia.
Nenhuma vez. Eu não tinha a opção desistir, todos viemos com uma missão, não importa o quanto ela seja difícil, precisamos ser resilientes e persistir. Acreditar em mim e em Deus sempre me deu forças para buscar novas oportunidades.

4 Shares:
1 comentário
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar:
Saiba Mais

Ao meu encontro

Tenho uma necessidade grande de passar pelo menos um tempinho do dia sozinha. Com a pandemia, esses momentos passaram a ser raros aqui em casa.