Namorados…. Aquele frisson. Calcinha molhada, pau duro, mordidas nos mamilos. Ainda se lembra? Caraca, que saudades daquele beijo na boca que acendia meus hormônios sem chupeta de bateria. Era encostar na pele e dar uma shazam epidérmico.

Agora envolve andaimes. Que labuta imensa, que trabalhão, que missão. Mesmo com a fada madrinha da reposição hormonal (nunca soube o que era isso), ouço só descontentamento com o sexo maduro. As que gostam de acasalar com o motorista do Uber no trajeto Copacabana-Barra; com o boy magia da academia no Leblon ou com a vizinha safada num velcro de aranhas na Lapa, não sei estão de fato aproveitando.

Há um certo desconforto nas balzacas em fazer a fêmea lasciva, a tarada Rodrigueana, a sogra safada. Para que? Para dizer que fode? Será que precisamos sermos horizontalmente disponíveis? Será que precisamos de ais e uis, uivando feito lobas?

Quando anunciaram que a Ivete ia comemorar 50 anos e a TV Globo disse que ela não parece a idade, virou manifestação. Tanto post, tantos twittes, indignação, verborragia. Não me apedrejem mas gosto de parecer velha. Ué, o tempo passou. O cabelo grisalhou, a bunda caiu, a ruga brotou. Vou dar uma cimentada com reboco e parecer a Bruxa de Blair?

Não, leitores. Já dobrei o cabo da boa aparência. Miro meus pentelhos brancos em uma ode a um certo desabamento corporal. Quero liberdade de existir na cama. E esse texto me levou aos homens de meia idade, muitos com pau mole. Oi? Já foi apresentada? Não é brochada… É permanente.

Tem alguns machos, ouço dizer nas rodinhas das maduras – que colocam silicone no pau. Eca. Prótese peniana, nome digno. Como assim? Pau meio duro forever? Credo. Minha defesa é pelos caras 60 + de bem com o corpo flácido no rala e rola ocasional.

Não somos nem Jeniffer Lopez com a delícia Affleck para fazermos contrato de fodas. Se rolar uma vez por mês, bem gostosa, está ótimo! Porque você ainda está no atletismo sexual? Que sono 💤💤 A maturidade traz essa libertação.

E eu quero um Dia dos Namorados novo. Sem neuras, sem pressão, sem regras. Quero poder abrir minha PPK seca, com os grandes lábios nada rosados, com minha barriga pochete, meu peitinho murcho e sentir. Do jeito que der. Nada de plug anal, nada de fisting, nada de spanking, nada de poliamor. Só eu e ele. Pelados. Inteiros ainda que aos pedaços. Ainda uivo se quiser, afinal trago lobo no sobrenome. Confere respeito.

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10 comentários
  1. Excelente reflexão mas tenho pra mim que os homens são muito orgulhosos para reconhecer q são iguais, têm fases e possuem dificuldades de dizer que são sensíveis, pois isso os deixaria vulneráveis no imaginário falso de machezas que vem desde a infância e se reforça na família. Vc foi no foco da questão das mulheres e também dos homens. É tudo igual, tirando o orgulho, claro.

  2. Kika: texto real e que se difere de tudo que já li sobre as agruras do sexo das coroas. Por que é diferente ? Porque você não adoça a realidade, mas tempera com o humor. E fazer sexo quando chegamos aos 60 deve mesmo ter doses de humor para não desanimar, além da conivência da parceria . Bjs 😘

  3. Maravilhoso esse texto porque ao mesmo tempo divertido e trata de questões hiper sérias e importantes!!! Kikando com tudo!!!!! Lets gooooooo

  4. Arrasou, Kika. Não só pelo conteúdo, mas também – e principalmente – pelo palavreado rasgado, sem frescuras e apetrechos literários, já que, na minha idade, já aprendi a comemorar o dia dos namorados do meu jeito bom. É, – você até já sabe que sou sua fã – entre muitas!

    1. Kika, o sexo na terceira idade é uma construção do casal. Há que se entender as necessidades, onde apertar o botão certo e sempre que ele acontece, mesmo que não seja em cima da mesa da cozinha( nunca entendi como alguém faz isso), é com muito desejo e prazer. Não precisamos mais contabilizar, precisamos aproveitar porque depois que acaba é sempre bom!

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