Todos nós chegamos em um ponto na vida no qual descobrimos quais são as “nossas bebidas”. Não só pelo gosto, mas porque ela realmente nos “faz bem”, relaxa e alegra. Uns são do vinho ou da cerveja, outros dos drinks ou destilados…. Alguns, de tudo! (Como eu, por exemplo.)

É um processo de auto-conhecimento como descobrir quais estilo de música ou filme preferidos, como gosta de se vestir ou se prefere legumes assados ou um belo steak.

Com drinks não é diferente. Crescemos e vamos descobrindo entre as inúmeras combinações etílicas qual é a mistura mágica para cada estado de espírito: quietude, agito, charuto, dança, namoro, amizade…

Bebendo com um casal de amigos outro dia –uma deliciosa seleção de scotch e puro malte, à distância segura– ela, uma médica deveras competente, comentou quão “injusta” são os agrados dados pelos pacientes para as médicas. Enquanto os colegas homens ganham uma boa garrafa de vinho ou de whisky, as mulheres ganham chocolate ou um conjuntinho de sabonete! (Descobri depois, que isso é verdade não só para médicas.)

O fato é que para bebidas alcóolicas a história é um tanto patriarcal.

Retrato de um triste estereótipo da nossa cultura em torno dos drinks. Enquanto desde pequenos, nós “meninos” aprendemos a experimentar bebidas diferentes e às vezes, até amargas, da mesma forma que aprendemos a dar um aperto de mão firme, as meninas aprendiam a pular corda, experimentar doces, como licor, por exemplo e a evitar palavrões a todo custo.

Uma revisão da literatura mundial sobre mulheres e álcool contradiz esses estereótipos e levanta algumas implicações práticas. Ao longo da história, as mulheres bebem há tanto tempo quanto os homens e, em algumas culturas, com frequência até maior. Em sociedades não-industriais, as mulheres geralmente têm acesso mais fácil a bebidas alcoólicas e muitas vezes monopolizam a produção e predominam no sistema de distribuição.

Infelizmente, para variar, aparece algum “movimento” para desandar a mistura. No caso, o “Movimento de Temperança” nos EUA que procurava moderar o consumo de álcool por parte dos homens e, em seguida, promover a resistência à tentação de beber (vai vendo!). Isso, em 1820! Mais tarde, a meta passou a ser a proibição total da venda de álcool.

Além disso os bares eram considerados locais de “comportamentos imorais” como a embriaguez, jogos de azar, uso de palavrões e outras sortes de “condutas questionáveis”. Era mais ou menos como disse o Erasmo Carlos: “Será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda?”

Com isso, as mulheres tiveram que se contentar em ficar em casa e buscar outras formas de diversão que não a bebida… (A cara da Bette Davis, abaixo, mostra o quão insatisfeitas estavam… )

Bette Davis em “All About Eve”

Os filmes e a literatura tiveram papel preponderante no tema. Como “This Side of Paradise” (1920) de F. Scott Fitzgerald, muitos dos filmes de sucesso do final da década de 1920 excitavam seu público com festas em casa, danças e passeios noturnos de homens e mulheres glamourosas, embora formalmente permanecessem dentro do antigo código moral, “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço…. já dizia o ditado.

Agora, um século depois, sabemos que as mulheres se reúnem com mais frequência para beber do que os homens e decidem entre elas se será com vinho, com Manhattan, um bom Boulevardier, o próprio Bette Davis (autoria @drinknthepot –precisava contar para vocês…) ou champagne.

Nosso senso é de que somos todos iguais e temos a liberdade de beber o que e quanto quisermos, e que uma mulher pode e deve tomar seus drinks preferidos, pois o fazem com tanta ou mais elegância que os homens!

Recentemente poucas produções deram tanta relevância ao hábito dos drinks do que Mad Men.

E para a trilha sonora desse texto, vamos ao som do Rei Roberto Carlos, “Ilegal, Imoral ou Engorda”.

Fontes:
www.sciencedirect.com
https://dp.la (Digital Public Library of America)

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