Hoje eu venho trazer um debate com base em algumas experiências que tenho vivido nesse período. Desde março de 2020 sou abençoada com pessoas maravilhosas que entraram em minha vida ou, então, cujos laços se estreitaram nesses tempos difíceis.

Como naquela época eu não estava saindo de casa, a minha vida se resumia ao trabalho, filmes, séries, leitura, esporádicas idas na casa dos meus pais e avó e longas conversas com meus amigos e meus novos amigos. Inclusive, deixo aqui o meu imenso agradecimento para todos que me deram tanta força quando mais precisei.

Brinco que ali, naquele meu “mundinho particular”, tinha tudo sob controle, até mesmo por não precisar me expor e, eventualmente, encarar pessoas com quem não tenho a menor afinidade. Esse período, com toda certeza, me deixou bem mal-acostumada. Vocês também têm essa sensação?

Passado esse tempo, com alguns setores retornando à uma pretensa normalidade, a realidade chega para me chacoalhar com o lembrete de que, a partir de então, haverá aquele famoso evento tão temido por Eduardo, personagem de uma famosa música da saudosa banda Legião Urbana: “a festa estranha com gente esquisita”.

Ela chega, meus caros e quando a gente menos espera. Comigo foi assim e posso dizer que, mesmo não tenho sido nada legal, me trouxe uma lição para os próximos capítulos.

Confesso que a primeira experiência foi sofrível, papo de querer voltar para casa o mais rápido possível, mas, por acompanhar alguém muito querido que precisava estar ali, encarei. Depois, não vou dizer que me acostumei, mas parei de lamentar mentalmente e passei a tentar achar graça.

Sim, o meu infinito particular não permitia a entrada de pessoas sem noção, que não acrescenta e são vazias. Mas a vida real não é aquele mundo encantado, certo? E com os compromissos retornando aos poucos, será necessário vestir novamente aquela armadura que, por tempos, estava pendurada, empoeirada e talvez até enferrujada.

A verdade é que desaprendi a jogar o jogo da egípcia, de fazer cara de paisagem quando ouço algo que não me agrada ou quando estou com pessoas que não tem nada a ver comigo. Mas a “festa estranha com gente esquisita” faz parte da nossa vida e convites surgirão.

Passei a buscar achar graça de alguma situação, de levar esses compromissos com mais leveza. Ainda não consegui fazer do limão um belo brigadeiro de colher, mas aquele shot para misturar na água com gás eu já garanti.

Um beijo e até a próxima.

(Fotografia de Denisse Garcia)

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