Quando eu era adolescente, tinha uma foto da Elle Mcpherson na porta da geladeira da minha casa. Se você, como eu, foi contemporânea das supermodelos dos anos 1990, deve lembrar que ela era conhecida como The Body, ou O Corpo!

Entre Christy Turlington, Linda Evangelista, Naomi Campbell e Kate Moss, essa australiana, loira, alta e com uma estrutura longilínea, era com quem eu mais me identificava. Na verdade, o cabelo era o único atributo que tínhamos em comum, de maneira que essa comparação se tornava absolutamente frustrante e a inspiração cruel.

Dentro de crenças formadas nessa “realidade”, passei grande parte da minha adolescência e vida adulta insatisfeita com meu corpo entre uma dieta e outra. Entre atingir a meta e nunca estar totalmente feliz com o que eu via no espelho. Entre querer seguir uma moda e me frustrar porque cresci ouvindo críticas e criando expectativas inatingíveis.

De uns anos para cá, a publicidade começou a fazer um movimento diferente e, a passos de formiga, a sociedade politicamente correta iniciou um processo de aceitação da diversidade mais da boca pra fora do que de fato, acreditando. Se é difícil mudar uma crença individual, imagina de uma geração?

Eu, que me intitulava uma aquariana cabeça aberta, moderna por natureza, free spirit, confesso que também não entendia. Olhava e não conseguia ver beleza nos corpos “imperfeitos” de lingerie nas passarelas.

Até que há pouquíssimo tempo, alguma coisa mudou dentro de mim e percebi que estava feliz com o meu corpo. Minha coxa deixou de ser grossa e passou a ser: minha coxa. Minha felicidade deixou de ser adiada para o dia que eu estivesse pesando 58kg e passou a ser hoje.

O que mudou?

Mudou que as pessoas que ficavam escondidas porque eram “fora de padrão”, hoje estão muito mais livres. Saíram de suas próprias prisões e foram para a rua, para a publicidade, para as festas, para as redes sociais e para os desfiles das semanas de moda mais importantes do mundo.

E elas me libertaram também! Eu, loira, branca e alta, fui libertada por essas pessoas pretas, morenas, gordas, baixas e… lindas!

Hoje, todas as vezes que eu puder aplaudir e incentivar essa diversidade, irei fazê-lo. Elas também me representam. Elas representam o atraso de vida e de felicidade, o tempo que eu e talvez você perdemos tentando ser o que não éramos, mas principalmente deixando de se amar, se cuidar e se respeitar.

Eu vou fazer 48 anos e nunca estive tão feliz comigo, com o que vejo no espelho. Sinto orgulho de quem eu sou, de cada marca do meu corpo, de cada experiência vivida. E agora ainda tenho a turma da maturidade abrindo as portas e janelas mostrando uma vida cheia de aventura e descobertas rumo aos 50.

O meu movimento é uma faísca que espero deixar acesa nas minhas filhas tão orgulhosas de suas belezas diferentes, seguras de seus corpos e de suas forças. Me emociono em pensar que em meio de tantos preconceitos e crenças eu consegui enxergar a importância da representatividade para as alegrias individuais.

O meu movimento é para ver cada vez mais gente livre, leve e feliz.

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